Cisnes


A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul, sem ondas sem espumas!

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinaes, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas!

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a agua se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sósinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne...
Júlio Mário Salusse

Júlio Mário Salusse (Nova Friburgo, 30 de março de 1872 – Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 1948) foi um advogado e  poeta brasileiro. Neto de uma das primeiras imigrantes suíças, Marianne Joset, que colonizaram Nova Friburgo, e de Guillaume Marius Salusse, oficial de Napoleão Bonaparte. Parnasiano, notabilizou-se pela autoria de "Cisnes", que goza até hoje de extrema popularidade.
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Discurso de posse de Ricardo Lengruber Lobosco



Posse na Academia Friburguense de Letras
 
I. Certa vez, li um texto que escrevi para abertura de uma palestra do saudoso professor Rubem Alves. Ao final da leitura, antes de assumir o microfone, o Rubem exclamou num sussurro gentil: "você deveria publicar um livro". Num ato de ousadia, retruquei: "sim, claro, desde que o prefácio seja seu!" Para minha surpresa e alguma vaidade, ele disse: "combinado". Escrito o livro, encaminhei ao Rubem - uma das boas referências de leitura nos tempos de colegial e faculdade - que prontamente escreveu um prólogo bastante generosa para o livro "A escola em que (des)acredito". Nascia ali uma pontinha de convicção: talvez a palavra seja mesmo uma companheira que não poderei abandonar. Minha formação acadêmica se deu, em alguma medida, em conexão estreitíssima com a palavra. Há quem aprenda por números e fórmulas. Aprendi - ainda aprendo - seduzido pela palavra. Fiz História na, hoje saudosa, Faculdade Santa Doroteia. Aprendi que nada se muda tanto quanto o passado e nada é tão poderoso quanto à capacidade de construção da história de um povo. Coisa que se faz, notadamente, pela palavra. Ideologias, justificativas e memórias se constroem pelas possibilidades que a palavra concede. Antes da Licenciatura em História, cursei Teologia. Teologia? Sim, teologia! Aquelas poucas paixões que a vida me deu. Não perguntem como nem porque. Mas uma amiga daquelas que estão comigo nas melhores e nas piores horas. A teologia me ensinou a ler e me obrigou a escrever. Com a teologia, aprendi a ensinar e descobri que a realidade é uma construção de palavras. Especializei-me (na pós, no mestrado e no doutorado) nas ciências literárias que se debruçam sobre a Bíblia, que se dedicam a ouvir melhor a Palavra. Aí talvez tenha emergido mais robustamente a preocupação com a literatura. Foi por conta dessa vocação que aprendi hermenêutica, exegese, literatura, mitologia, análise do discurso, ciência literária, filosofia da linguagem e tantas outras ferramentas valiosas. Descobri coisas fascinantes com a Teologia. Especialmente sobre o poder das palavras. Mas não menos importante sobre política e em que medida a palavra é política. Mais do que ferramenta da comunicação política, a palavra, ela mesma, é política em si. Devo tudo isso a Teologia. Aliás: fiz, faço e quero ainda fazer muito, muitas coisas. Mas desejo, mesmo, me aposentar ensinado e aprendendo teologia. Isso é o que me dá prazer. Isso é o que me dá sentido. Trabalhei como professor de música, professor primário, guiei van escolar, lecionei na universidade e na pós. Atuei em comunidades cristãs evangélicas e leciono no seminário pastoral. Aprendi sobre administração e fui desafiado na secretaria municipal de educação. Em todos esses esforços, tive a palavra como companheira. Permiti que ela fosse foco, deixei que ela desse o tom. Por ela e por meio dela, esforcei-me por dizer e comunicar. Tentei esclarecer a realidade. Busquei a clareza da ciência e da técnica e a poesia da literatura e do diálogo, como irmãs que se digladiam, mas se complementam. Entendi que a realidade crua exige, por vezes, a densidade da poesia. Na caminhada, escrevi uns artigos acadêmicos, outros de opinião. Redigi muito material didático para aulas e cursos. Debrucei-me de forma mais delongada sobre uma dissertação e uma tese. Dediquei-me a escrever livros sozinho e em parceria. Cada desafio com seu charme e sua loucura. Em todos, todavia, uma certeza sempre me perseguiu: há muito por ser feito, o que aqui está é obra inacabada.

II. Sinto-me honrado, sim, de estar chegando a essa Academia de Letras. Mas me sinto, para além disso, desafiado. Penso, com uma dose da intrepidez dos novatos, que haja uma razão de ser para essa Casa de Salusse. E, como professor, ouso dizer que seja uma missão educacional. Como a acupuntura que toca o ponto específico para estimular o corpo todo, a Academia deve focar na leitura e na escrita com vistas a uma revolução de proporção extensa e profunda na sociedade. Mais do que uma congregação de notáveis, a Academia tem um avocação missionária, ligada, em especial, à construção do gosto pela leitura e pela escrita. E aqui me permito convidá-los a refletirmos sobre leitura e escrita, sobre currículo escolar e relação entre educação e sociedade.

a) Ler é uma experiência cultural extraordinária. Cultural porque não dispomos das competências leitoras naturalmente; construímos esse arsenal de habilidades e códigos ao longo do tempo das gerações e da vida de cada indivíduo. Extraordinária porque sempre, necessária e inexoravelmente, foge às regras e protocolos pré-estabelecidos; ler, por princípio, exige disponibilidade para encontrar o novo. Por isso Douglas W. Jerrold afirma que "há dois tipos de leitores: Os que cuidadosamente passam através de um livro, e os que, com igual cuidado, deixam que o livro passe através deles." Interessa-me, ainda, a originalidade de escrever. Não a tarefa de narrar uma história ou discorrer sobre um tema, mas o ato em si de escrever, montar palavras, organizar frases, erigir textos. É esplêndida a gama de possibilidades que a escrita alfabética nos legou. Se os textos ideográficos exigiam muito da criatividade dos leitores, a escrita alfabética conseguiu dar mais exatidão aos textos e deles conseguiu fazer retratos mais pormenorizados da realidade. E é justamente nesse momento que o texto passou a exigir leitores mais especializados. Ler passou a ser um gesto intelectual pleno. O mais pleno de todos! Não que prescinda da criatividade, mas concede a ela densidade e objetividade. Faz com que criatividade seja mais do que mera inventividade; antes, cresça como interatividade entre almas que se encontram no texto. Autor e leitor comungam por meio do texto e nele se encontram. Se, por um lado, o escritor, ao entregar seu texto, dele se emancipa e a ele dá autonomia, o leitor, por outro, ao mergulhar na leitura, precisa permitir-se alienar por um bocado de tempo. Sim, toda leitura exige a coragem da alienação. Ou seja, demanda do leitor a entrega de sua consciência às rédeas do texto. Um bom leitor se deixa envolver pelo texto e dele absorve as essências e, em algum sentido, se deixa absorver pelo texto e por seu mundo. É nesse sentido que se aliena, se permite conduzir por um outro. Paradoxalmente, todavia, no ato voluntário de auto alienação, o leitor encontra a possibilidade de construir ideias próprias. Ao se permitir alienar, o leitor assume o risco de perder identidade, mas descobre que não é um vaso vazio que precisa ser preenchido por algo que lhe vem de fora. Descobre que tem muito a dizer ao texto. Descobre que, com o texto, na verdade, estabelece uma parceria profícua de ideias e experiências. Há, nesse processo, uma via de duas mãos. Numa, o leitor que se permite inundar pela verdade do texto; noutra, o texto que se abre ao que o leitor tem a contribuir. Há, numa palavra, diálogo. Ler, por tudo isso, é uma experiência geradora de coisas novas. Não apenas o ato de escrever é criativo. A leitura também realiza, em regra, criação. Ela dá voz ao que ainda não foi dito. Nas palavras do Ítalo Calvino, "Ler significa preparar-se para capturar uma voz que vai surgir quando você menos espera. Uma voz que se deixa ouvir de um lugar inesperado, para além do livro, além do autor, além da escrita: ela vem do que foi dito, daquilo que o mundo ainda não fez a si mesmo porque ele não tinha palavras para dizê-lo". Na escola, mais valioso do que ensinar o código, é estimular o desejo pela descoberta de experiências novas por meio da palavra. Bons mestres conseguirão fazer nossos olhos verem a magia que está escondida sob as capas dos livros. Ajudarão a perceber o quanto a palavra é patrimônio humano por excelência. E, curiosamente, o quanto ela estimula o que há de mais radical na condição humana: a criatividade. Ensinarão que a mesma palavra que demandou mais atenção de um leitor cada vez mais especializado é também a responsável pelo amadurecimento da criatividade. Esses mesmos educadores nos darão a compreensão que a palavra - sua leitura e sua escrita - é, por um lado, resultado da atividade humana e dela um produto sofisticadíssimo; mas, por outro, é o fomento incansável para continuarmos a intervir transformadoramente sobre a realidade. A escola cumprirá seu papel quando nos revelar que é a palavra, ao mesmo tempo, causa e consequência daquilo que somos e do que desejamos ser. b) Escrever não é, somente, simples ferramenta de comunicação. Não é possível apenas lançar mão de signos e fazê-los dizer isso ou aquilo, mecanicamente. Essa não é a vocação da escrita. Escrever é fazer escolhas; ao optar por essa ou aquela palavra, se faz uma espécie de seleção ou recorte. Ou seja, diante da folha em branco, o autor faz opções - conscientes ou não - pelos rumos que seu texto tomará. E, ao se permitir escolher, empresta ao texto uma autonomia toda especial. Não que o texto, nesse primeiro momento, passe a ter vida própria já, mas que sua mensagem criará uma realidade específica e, de certo modo, distinta da concretude do aqui e agora. São nesses termos que se pode dizer que um texto é autônomo: ele cria uma realidade toda própria. Por conta disso, não seria exagero dizer que todo texto - qualquer texto - é uma peça de ficção ou um exercício de fantasia. A realidade do texto é, sempre, distinta da realidade crua da vida. O autor, ao fazer suas escolhas e assumir suas preferências, se coloca por trás das palavras e, ao mesmo tempo que revela interesses e intenções, se esconde no texto. Não me parece correta a ideia que o autor se entrega por meio de seu texto. O que ocorre é uma autocriação do autor por meio de sua produção textual. Ao mesmo tempo que o autor escreve, ele seleciona o que de si quer revelar. Os textos nascem da realidade, mas dela tratam com o distanciamento que a palavra exige e, nesse processo, concedem-na uma dimensão toda especial, onde fato e fantasia se comungam mutuamente. Pensar que fantasia é falseamento da realidade é o mesmo que dizer que a realidade existe em si mesma e não requer mediações para sua compreensão. E isso não é verdade. Tudo que nos cerca - mesmo nós mesmos - carece de uma linguagem para poder dizer-se. Toda linguagem, ainda que endurecida pelo rigor dos conceitos, está sempre eivada de fantasia. Toda linguagem é, de algum modo, fantástica. Isso revela duas surpreendentes descobertas. A primeira é que, necessariamente, a relação que estabelecemos com a realidade passa pelo viés da inventividade. A palavra foi o meio que desenvolvemos para capturar e tratar a realidade. A segunda é que, nesse processo de apropriação simbólica da realidade, plantamos a possibilidade de transformar essa mesma realidade. O que significa dizer que a dimensão fantástica dos textos é, em algum sentido, revolucionária. Prova disso é a linguagem simbólica de textos religiosos na Antiguidade. O apocalipse do Novo Testamento, por exemplo, é esplêndido e fantástico nas suas descrições da realidade. O que parece incrível e sem sentido, na verdade, é a via possível de aproximação com a história de perseguição e sofrimento daquela gente e, ao mesmo tempo, uma tentativa de transformação dela. Um texto não é, por isso, um espelho; antes, talvez, uma janela por onde o leitor tenta enxergar algo ou mesmo a si próprio; um espaço pelo qual o autor burla a si mesmo. Inventa-se e esconde-se. Projeta-se e lança-se adiante. Transforma-se e transforma seu entorno. Na escola, o desafio de professores e currículos é favorecer que a dimensão libertadora da Literatura encontre eco entre estudantes. Quando a escola conseguir transformar alunos em leitores e leitores em autores, conseguirá também mudar o rumo da História. Um texto não diz nada além do que desejamos ser. Quem está no texto é um autor. Esse, todavia, é diferente da pessoa que escreve. Não apenas o texto é uma criação; o autor, ele mesmo, é uma construção de si. Pelo texto, nos inventamos e nos transformamos constantemente.

III. Antes de terminar, preciso fazer três breves considerações.

a) A primeira sobre Cruz e Souza, patronímico da cadeira que hoje a mim é confiada nessa Academia. João da Cruz e Sousa nasceu em Nossa Senhora do Desterro, em 1861 e faleceu em Curral Novo, 1898 com apenas 36 anos. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. Filho dos escravos alforriados, João da Cruz recebeu educação formal na casa de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa - de quem adotou o nome de família, Sousa. Aprendeu francês, latim e grego, além de ter sido discípulo do alemão Fritz Müller, com quem aprendeu Matemática e Ciências Naturais. Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna por ser negro. Em 1885 lançou o primeiro livro, Tropos e Fantasias em parceria com Virgílio Várzea. Cinco anos depois veio para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, colaborando também com o jornal Folha Popular. Em fevereiro de1893, publicou Missal (prosa poética) e em agosto, Broquéis (poesia), dando início ao Simbolismo no Brasil que se estenderá, pelo menos, até 1922. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca. É certo que se encontram inúmeras referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos. Embora quase metade da população brasileira não seja branca, poucos foram os escritores negros ou indígenas. Cruz e Sousa é acusado de ter-se omitido quanto a questões referentes à condição negra. A que aprofundar a discussão sobre a procedência da acusação, pois, apesar de a poesia social não fazer parte do projeto poético do Simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo. Cruz e Sousa militou, sim, contra a escravidão. Tanto da forma mais prática, fundando jornais e proferindo palestras, quanto nos seus textos abolicionistas, demonstrando desgosto com a condução do movimento pela família imperial. Afora a discussão, sinto-me especialmente honrado em ocupar essa cadeira. Afinal, Nova Friburgo foi a terra do Barão, cuja posse de escravos o fez um dos maiores - senão o maior - senhor escravagista do século XIX. Ou seja, nossa história está bem longe de ser apenas o recorte da suíça brasileira, mas um caldeirão de culturas e heranças sobre as quais devemos nos ocupar mais. Com a proximidade da celebração dos 200 anos de Nova Friburgo, apresenta-se para nós uma rica oportunidade de revisitação de nossa história, que deixe de lado aproximações folclóricas e fortemente carregadas de ideologias; quem sabe esteja aqui uma chance de compreendermos essa dimensão cosmopolita de nossa trajetória histórica e a gama de oportunidades que isso nos abre.

b) Em segundo lugar, preciso fazer referência ao Professor Hamilton Werneck, que me saudou de forma tão gentil. Fui seu aluno no Colégio Anchieta. Lembro-me de suas aulas e de sua inteligência incomodada que mescla espetáculo e provocação. Isso me seduziu bastante. Mas um fato em especial merece destaque: uma correção ortográfica. Um texto escrito e uma palavra grafada erradamente. Hamilton de forma muito cortês sinalizou o erro. Acho que nascia ali uma apreciação especial pelas palavras. Por meio do Hamilton, dedico parte dessa posse aos meus professores e professoras.

c) Por fim, desejo dedicar minhas palavras finais aos meus familiares aqui presentes. Dedico aos meus filhos Miguel e Augusto. Tenho dois filhos. Ou melhor, eles me têm. Ou melhor ainda, nos temos mutuamente. Sem escrituras. Vivi anos sem eles. Sequer imaginei que eles pudessem existir. Agora, sequer posso imaginar minha vida sem eles. Mas sei que um dia eles estarão mais distantes. E terei que me refazer. Paciência. São lindos. E são chatos também. São gente. Um é cheio de força e vigor. Sorri como um herói. Lindo. Satisfeito. Viril. Frágil também. Mente. Esconde. Chora. O outro é matreiro. Inteligente. Irônico. Sua força é diferente. Vem de uma perspicácia difícil. Chaga a um realismo que incomoda. Tenho experiências com eles. Casos. Histórias. Estórias. Aprendizados. Ensinamentos. Ciência. Fé. Tempo desperdiçado só olhando. Brincando. Me inebria vê-los dormindo. Especialmente ao meu lado. Puxa: isso é inexplicável. Amo meus filhos. Desejo que cresçam com saúde; com vigor; com alguma sabedoria; mas que sejam, acima de tudo, gente do bem. Homens que escolham o correto. Gente que tenha o que escolher. Que sejam amados. Que tenham que lhes afague. Pessoas com quem se sintam em casa. E que amem. Amem mesmo. Amem de modo que se sintam plenos. Há experiências que mudam a vida da gente. E mudam mesmo. Mudam irremediavelmente. Meus filhos fizeram isso comigo. Que bom.
 
Ricardo Lengruber Lobosco

08 de maio de 2015
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Biografia dos Acadêmicos: Luís de Gonzaga Malheiros

 
Luís de Gonzaga Malheiros (Nova Friburgo,8 de dezembro de 1914 – Niterói, 26 de janeiro de 2013) foi um escritor, político e professor brasileiro.

Filho do casal de portugueses Antônio Malheiros e Maria da Glória Alves Malheiros, tendo ficado órfão de mãe muito cedo, foi encaminhado para o Seminário da Ordem dos Barnabitas, presumivelmente para que se tornasse sacerdote. Estudou na Europa, onde em 1937 diplomou-se em Letras Clássicas, no Colégio Internacional de Filosofia de Roma. Um ano depois, concluiu o curso de Línguas Neolatinas, no Instituto de Estudos Superiores de Paris.

Tendo desistido de ingressar no sacerdócio, regressou ao Brasil, vindo morar em sua cidade natal, onde se dedicou ao magistério e à política, tendo exercido os cargos de Secretário Geral da Prefeitura e Secretário da Educação de Nova Friburgo, durante o governo de Alencar Pires Barroso. No Estado exerceu os cargos de Diretor do Departamento de Educação Primária, de Presidente do Conselho Estadual de Educação, e de Secretário de Estado dos Negócios da Educação e Cultura, nomeado em 1962 pelo Governador Celso Peçanha.
 
Foi professor no Colégio Modelo, Colégio Anchieta e a Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira. Ampliando sua atuação em Nova Friburgo, foi gerente da Caixa Econômica Federal e vereador. Tendo sido um dos fundadores da Academia Friburguense de Letras, tornou-se seu presidente, em decorrência da morte do Dr. Daniel de Carvalho, sendo o último fundador vivo.

Era casado com Anna Elisa Povoleri Malheiros, com quem teve três filhos – Flávio Luís, Maria Lúcia e Heloísa.
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Discurso de posse de George dos Santos Pacheco


1. Saudações

Exmo. Sr. Presidente da Academia Friburguense de Letras, Prof. Robério Canto;

caros confrades e caras confreiras,

amigos, e colegas que se encontram na assistência

meus pais, irmão, esposa e filhos,

meus senhores, minhas senhoras.

Boa noite.

2. Introdução

“Em mim o caso literário é complicadíssimo e anda tão misturado com situações críticas, filosóficas, científicas e até religiosas, que nunca o pude delas separar”.

Eu acredito que a literatura sempre esteve presente entre os humanos, desde quando ele se organizava em tribos e bandos, até se alcançar a excelência da organização das sociedades atuais. Os desenhos rupestres, por exemplo. A interpretação deles está cercada de controvérsia, mas pensa-se correntemente que possam ilustrar cenas de caça, rituais, e cotidiano. Ou seja, nada mais são que crônicas, expressas através da linguagem conhecida pelos homens primitivos.

Com a evolução e apropriação da linguagem, o homem estabelece a literatura oral, época em que surgem também as fábulas, composições curtas, em que os personagens são animais com características antropomórficas, muito presente na literatura infantil. As fábulas possuem caráter educativo e fazem uma analogia entre o cotidiano humano com as histórias vivenciadas pelas personagens.

Assim, a partir da literatura, surgem outras representações artísticas, como o teatro, o cinema, a música, e até mesmo as histórias em quadrinhos e jogos virtuais, considerando que atualmente apresentam enredo e se desenvolvem a partir de uma história principal.

Parafraseando a acadêmica Tereza Malcher, na crônica “Por que estou escrevendo sobre bússolas?”, publicada no jornal A Voz da Serra, “A leitura e a escrita são “valores” maiores. Habitamos na língua materna, casa que nos faz humanos e ser o que somos. Brasileiros, inclusive. Falando, lendo e ouvindo apreendemos o conhecimento e o mundo se aproxima das nossas mãos. Ampliamos o modo de interagir e interferir no ambiente”.

É nisso que acredito. Numa literatura libertadora, capaz de instrumentalizar os homens a serem mais que meros coadjuvantes, mas sim, escritores de sua própria história. A literatura é meio, e não fim. Desde os tempos mais remotos, ela evoluiu e fez evoluir, estimulando o pensamento crítico e deve ser fomentada, sempre e cada vez mais, não apenas como fruição, mas como instrumento capaz de conduzir os homens a interagir e interferir de maneira mais efetiva no ambiente, provocando mudanças significativas na sociedade e em sua vida.

3. Patrono


A frase com que iniciei este discurso, não é minha. Seu dono é o patrono da cadeira 38, a qual passarei a ocupar, Sylvio Romero: advogado, jornalista, crítico literário, ensaísta, poeta, historiador, filósofo, cientista político, sociólogo, escritor, professor e político brasileiro.

“Em mim o caso literário é complicadíssimo e anda tão misturado com situações críticas, filosóficas, científicas e até religiosas, que nunca o pude delas separar”. A frase foi uma resposta em 1904, através de carta, a um questionário feito por João do Rio para a imprensa carioca.

Sylvio Romero foi um dos membros do corpo diretivo luso-brasileiro da Revista de Estudos Livres entre 1883-1886, e estava entre os intelectuais que fundaram a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1897, ocupando a cadeira 17, com Hipólito da Costa como patrono e, foi o acadêmico que recebeu Euclides da Cunha em 18 de dezembro de 1906. Entre 1911 e 1912 residiu em Juiz de Fora, participando da vida intelectual da cidade, publicando poemas e outros escritos nos jornais locais, prefaciando livros, ministrando aulas no ensino superior e proferindo discursos.

Sylvio reivindicava para o Brasil o “pensamento autonômico”, e optaria pelo “evolucionismo spenceriano, no qual os fatores biológicos dariam um suporte maior à sua crítica sociológica”.

A obra de Sylvio, desde os primeiros ensaios publicados em periódicos do Recife, na década de 1870, situa-se sob o signo do embate e da polêmica, e estende-se desde a poesia, crítica, teoria e história literária, folclore, etnografia, até estudos políticos e sociológicos.

É, pois, com muito orgulho que passarei a ocupar esta cadeira, ciente da responsabilidade que agora me é imposta, mas convencido de que junto aos nobres confrades e confreiras, com os quais ainda tenho muito que aprender, poderei desempenhar um bom papel em prol da literatura friburguense.

4 – Homenagens

Manoel Joaquim Falcão


Meu antecessor na cadeira 38 foi o advogado e professor Manoel Joaquim Falcão. Natural de Barcelos, em Portugal, veio para o Brasil aos 33 anos para atuar como professor de letras clássicas, grego e latim na PUC, tendo estudado anteriormente na Universidade de Salamanca, na Espanha. Cursou direito na Faculdade Cândido Mendes, no Rio, como exigência para a naturalização, mesmo já tendo feito o curso em Portugal. Transferiu-se do Rio para Nova Friburgo convidado para lecionar no Colégio Anchieta e na então Faculdade Nossa Senhora Medianeira, posteriormente Faculdade de Filosofia Santa Doroteia. Foi seu primeiro professor leigo e ajudou muito a faculdade no início de seus trabalhos. Lecionou também no Colégio Cêfel e foi vice-cônsul e cônsul honorário de Portugal no Brasil.

O Professor Falcão esteve sempre envolvido com os processos e os aspectos culturais da cidade e destacou-se no Grêmio Português de Nova Friburgo, tendo ocupado o cargo de presidente durante muitos anos, sempre ajudando a agremiação mesmo fora do cargo máximo, exercendo também, o cargo de diretor jurídico.

Por sua trajetória, e por tudo que representou para sua família e para a sociedade friburguense, em especial os grupos escolares a que pertenceu, o Grêmio Português e a Academia Friburguense de Letras, fica aqui uma singela homenagem deste jovem acadêmico ao professor Manoel Joaquim Falcão.

Aécio Alves da Costa


Aécio Alves da Costa foi um advogado, ‬professor universitário, e ‬escritor friburguense. Era titular da cadeira nº 36, de patronímica de Raul de Leone.

Aécio nos deixou subitamente em 29 de março, fato que atingiu a todos de surpresa. Homem de sorriso fácil, ‬‬publicou os livros‭ ‬“Poemas de‭ ‬uma‭ ‬cidade‭”‬,‭ ‬“Desenvolvimento e‭ ‬equilíbrio das‭ ‬organizações‭”‬,‭ ‬“Relações‭ ‬humanas‭”‬,‭ ‬“Atribuições do‭ ‬gerente‭”‬,‭ ‬“Eles‭ & ‬Elas,‭ ‬Elas‭ & ‬Eu‭”‬,‭ ‬“A Moça de Itaguaçu‭”‬,‭ ‬e‭ ‬“Trovas,‭ ‬trovinhas e‭ ‬trovões‭”‬. Foi presidente por dois mandatos da AFL (2008 – 2012) e membro atuante de diversas instituições como a Academia Ferroviária de Letras,‭ ‬Sociedade Amigos da Marinha,‭ ‬Associação Brasileira de Recursos Humanos,‭ ‬Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento,‭ ‬Associação de Amigos e Moradores de Amparo e Associação Friburguense de Imprensa,‭ ‬da qual foi um dos fundadores e ocupava o cargo de diretor jurídico e presidente do‭ ‬conselho‭ ‬fiscal.

Em sua carreira no magistério, ‬lecionou nas Universidades Santa Úrsula,‭ ‬Cândido Mendes e Benett‭; ‬na Fundação‭ ‬Getúlio Vargas e no Cefet.‭

Infelizmente, não tive a oportunidade de conviver muito tempo com o Professor Aécio, mas agradeço por sua companhia e pelas conversas que pude ter com ele durante alguns eventos da academia, dos quais pude participar, antes mesmo de ser acadêmico. A título de homenagem, recito aqui seu poema Vida:

Vida

Vida que te quero viver.

Quando subia as montanhas no Vale Nevado dos Alpes chilenos

Me dei conta de nosso tamanho diante do universo

Onde pude refletir de modo solitário

Sentindo-me como um ponto minúsculo

Naquele vale imenso, lindo e aterrador.

De onde vi o vôo de um condor.


Os seres humanos são criaturas tão pequenas

Tão menores que o universo

Tão insignificantes diante de sua imensidão

Que não devemos nos preocupar tanto com as coisas menos importantes.


Aproveitar a cada momento da vida…

Ampliar a visão do mundo, dar asas à imaginação

Sonhar, viver a vida

Suportar nossas fraquezas

Não nos preocuparmos tanto com as coisas que nos aborrecem.


Aproveitar a vida oferecendo amor, espargindo alegrias

Sorrir e fazer alguém sorrir a cada dia

Escolher ser feliz a cada dia

Reverenciar o nascimento de um ser

Dando-lhe a garantia do bem viver

Entre os homens e sob o olhar do Criador.

Aproveitar o Sol, que aquece a alma e dá vigor ao corpo.


Contemplar o brilho da lua e

Mergulhar na escuridão da noite

Encontrar sempre o lado positivo de tudo que nos rodeia

E ele aparecerá. É só procurar… concordar

E mesmo que tudo pareça tão grande, tudo é tão pequeno.

Viver intensamente a cada momento,

Viver sem medo de ser feliz

Viver como se o amanhã não existisse

Ou seja, viver a VIDA de hoje e agora!


5 – Agradecimentos

Agradeço a Deus pela oportunidade, a meus pais e professores, pela educação que me deram, ao meu irmão, pelo companheirismo, à minha esposa e filhos, pela compreensão, paciência e carinho, aos meus amigos, que por bons ouvidos se fizeram. Eu não teria chegado aqui sem vocês.

Não posso esquecer dos amigos Marcos Saraiva Arrais, Bruna Verly, Márcio Branco, Jailson Bernardo da Silveira, e Gilberto Sader, pelo apoio prestado para que essa festa pudesse acontecer. Muito obrigado.

Agradeço ainda, pela boa acolhida de todos os confrades e confreiras, em especial aos acadêmicos Alberto Wermelinger, Tereza Malcher, e Álvaro Ottoni e o nosso presidente Robério Canto.

Obrigado pelo carinho. Espero estar à altura da Casa de Salusse e contribuir sobremaneira a fim de elevar o nome da Academia Friburguense de Letras, da Literatura e de Nova Friburgo, e perpetuar os ideais de Dr. Rudá Azambuja e o Professor Messias de Moraes Teixeira.

Encerro este singelo discurso, nas palavras do Almirante Barroso, quando da Batalha Naval do Riachuelo: “Sustentar o fogo, que a vitória é nossa”; e tomando emprestado o lema do Hidrógrafo: “Restará sempre muito o que fazer”.

Boa noite, e muito obrigado.

George dos Santos Pacheco

Nova Friburgo, em 15 de abril de 2016.
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De cabelos e acentos


Os brasileiros não sabiam o que era “honestamente”.

Alguns valores da juventude devem ser preservados, acho eu. Por exemplo, os cabelos. Certo dia, estávamos na sala quando Tarcísio Meira apareceu na telinha, e qual foi o comentário geral, especialmente entre as mulheres? “Como está bonito o cabelo do Copola!”, sendo Copola o personagem do famoso ator na novela de então.  Não sei se por ciúme, despeito, amizade ou horror, como diria o Lupicínio, o fato é que pensei cá comigo que se o cabelo despertava tanta admiração, era porque o que estava abaixo deles não mais fazia bater os corações femininos.

Mas antes salvar os cabelos do que nada. Ultimamente eu vinha observando que minha testa parecia maior cada vez que eu me penteava. A princípio, fiquei na dúvida se era a inteligência que crescia ou o cabelo que caia. Minha mulher, solidariamente, nada comentou a respeito. Talvez por conhecer há muitos anos os estreitos limites de minhas competências intelectuais. Mas eis que um amigo – nem sei mais se é amigo mesmo – tendo me encontrado quando eu saia do barbeiro, teve a delicadeza de comentar: “Puxa, quando a gente corta o cabelo é que vê como os fios estão indo embora!”

Desde então venho contando, a cada manhã, cada um dos fios, mentalmente declamando o soneto “As pombas”, de Raimundo Corrêa, e nem me diga que não conhece, que você também é dos tempos das antologias escolares, e era só abrir as páginas de qualquer uma delas e as pombas do Raimundo começavam a voar: “Vai-se a primeira pomba despertada...Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas” e por aí afora, até que tivessem voltado todas as pombas e sumido todos os sonhos.

Mas, infelizmente, não são apenas os cabelos que caem. Recentemente, por conta do acordo ortográfico, também alguns acentos caíram. Sim, eu sei, os assentos também caem, mas esse é um assunto desagradável, especialmente para as mulheres, que, com justas razões, dão tanta importância aos seus, visto que os homens em geral apreciam especialmente essa parte da estampa feminina. Fiquemos nos acentos.

Desde o dia 1º de janeiro de 2009, estou escrevendo joia depois de passar a vida inteira tentando ter alguma jóia. A reforma ortográfica tem doutos defensores e detratores não menos doutos. O fato é que lá se foram os acentos, as pombas de Raimundo Corrêa, que antes tinham vôo, passaram a se contentar com voo, ou ficar quietinhas no pombal do marquês. Acho que o próprio Marquês de Pombal, se consultado, diria que a emenda ficou pior do que o soneto.

 Os brasileiros tinham cá suas idéias, enquanto os portugueses tinham lá suas idêias. A julgar pelas piadas de português aqui e pela fama dos brasileiros em Portugal e no resto do mundo, nenhuma delas prestava. Até corre pela internet uma historinha politicamente incorreta que arrasa tanto conosco quanto com eles, e ainda ofende outros povos igualmente merecedores de respeito. Diz a tal historinha que foi feita a seguinte pesquisa mundial: “Pedimos-lhe a delicadeza de responder honestamente, com toda a liberdade, da forma mais inteligente possível, a seguinte pergunta: Por que alguns povos têm tanta comida, enquanto o resto do mundo passa fome?”

Parece que o resultado da pesquisa foi um fracasso, porque os argentinos não sabiam o que era “delicadeza”, os cubanos não sabiam o que era “liberdade”, os portugueses não sabiam o que era “de forma inteligente”, os africanos não sabiam o que era “comida”, os americanos não sabiam o que era “o resto do mundo”, os alemães não sabiam o que era “fome” e, finalmente, os brasileiros não sabiam o que era “honestamente”.

Preconceitos à parte, também eu gostaria de fazer uma pesquisa, para saber por que eu, que tenho cada vez menos cabelos, tento conservá-los, enquanto os adolescentes, que os têm em abundância, frequentemente raspam a cabeça. Talvez não chegasse à conclusão alguma, mas também não consigo chegar a nenhuma conclusão sobre a queda dos acentos.

Melhor ficar com a opinião de um amigo que, modestamente, me confessou que a reforma ortográfica nada significou para ele: “Eu nunca usei acento mesmo. Trema e hífen, esses então jamais apareceram em palavra escrita por mim. Se eu escrevia errado pela antiga ortografia, não é por causa de um acordo, sobre o qual, aliás, não fui consultado, que eu agora vou me corrigir!” 

Robério José Canto

Robério José Canto é licenciado em Letras, tendo se dedicado ao ensino de português e literatura em escolas da rede particular e pública, lecionando em Nova Friburgo, sua cidade natal, e no Rio de Janeiro. Há longos anos colabora com imprensa friburguense, abordando temas de literatura e cultura em geral. Mantém a coluna Escrevivendo, em A Voz da Serra, no qual semanalmente publica crônicas e contos, além de eventualmente colaborar com outras seções do jornal. Publicou os livros “Um lugar muito lá”, “Ventos nas casuarinas”, “Menina com flor”, “O infinitivo e outros males”, “Onde dormem as nuvens” e “Toda criança merece ter um bicho”. Dentre outras distinções, recebeu o título de Cidadão Pleno Destas Terras de D. João VI, conferido pela Cidade de Nova Friburgo e o GAMA - Grupo de Arte Movimento e Ação;  a Moção Especial de Louvor  “pela valorosa  obra em prol da cultura e da Educação”, concedida pela Câmara Municipal de Nova Friburgo, e o Troféu Pégaitaz Irenee René, como um dos “Melhores do ano de 2015”, por decisão do Conselho de Representantes de Eventos Culturais de Nova Friburgo, “Diploma de Mérito Cultural”, outorgado pela Academia Nacional de Letras e Artes – ANLA; agraciado com Menção Honrosa pela Academia Ferroviária de Letras, dentre as Personalidades de Destaque de 2015. O 3º. Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo conferiu aos vencedores o Troféu Robério Canto. É presidente da Academia Friburguense de Letras, ocupando a Cadeira no. 4, patronímica de Alphonsus de Guimarães.
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Biografia dos Acadêmicos: George dos Santos Pacheco


George dos Santos Pacheco (Nova Friburgo, 7 de outubro de 1981) é um escritor friburguense. Um dos autores da Coletânea “Assassinos S/A Vol. II”, e do romance “O fantasma do Mare Dei”, ambos publicados pela Editora Multifoco em 2010. Publicou também o conto "Nem só de pão vive o homem" na edição do 3º trimestre de 2011 da Revista Marítima Brasileira e recebeu Menção Especial no VI Concurso de Trovas do Grêmio Português de Nova Friburgo, no tema lírico-filosófico. Desde 2009 mantém o blog Revista Pacheco, onde publica seus próprios textos e de colaboradores, além de contribuir com diversos sites e revistas digitais tais como A Irmandade, Tertúlia, Démodé, e Puta Letra, entre outros. Em 2013, participou como mediador do Encontro Literário “Narrativas fantásticas - A Literatura da Invenção”, do Festival de Inverno Sesc Rio 2013. Ainda neste ano, foi premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Troféu Affonso Romano de Sant'anna.

A partir de janeiro de 2014, passou a compor o quadro de colunistas da Revista Êxito Rio, além de colaborar eventualmente com o Jornal A Voz da Serra. Ainda em 2014, teve seu conto "A Dama da Noite" adaptado para um curta metragem homônimo, através do coletivo audiovisual "Sétima Literal". O filme foi exibido na II Festa Literária da Serra (FLITS) em Bom Jardim-RJ e em uma sessão exclusiva em uma sala de cinema de Nova Friburgo, além de compor a programação do canal CineBrasil Tv. As filmagens aconteceram em Nova Friburgo, com uma equipe formada na própria cidade.Também publicou o conto "Os Americanos que Vieram do Céu", na 5ª edição da revista digital de ficção científica Trasgo. Em 2015, teve crônicas publicadas em uma coluna no Jornal Fala Olaria, de Nova Friburgo.

Sua escrita se caracteriza por um estilo leve, simples e direto. Criador de personagens marcantes como a suicida Suzanne, em “Tarde demais para Suzanne”, o antropófago Barão Malheiros, em “O Jantar de Barão Malheiros”, e o violador de túmulos Edésio, de “O Caso do Violador da Noite”, George, nas palavras de Haron Gamal (professor e doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ), “se mostra um mestre no difícil mecanismo de escrever diálogos, conseguindo criar períodos bem estruturados e construções frasais que aguçam a expectativa dos leitores”. 

Publicou o conto "Tarde demais para Suzanne" na antologia Buriti 100 em abril de 2015, que a Editora Buriti preparou para comemorar o lançamento do seu 100º livro. O livro conta com a participação de diversos autores que publicaram com a editora. 

Em 22 de agosto de 2015 lançou seu segundo livro, “ Uma Aventura Perigosa”, pela Editora Buriti. No romance, o autor conta a história de Max de Castro, um funcionário público insatisfeito com o trabalho e com problemas no casamento. Após uma crise de estresse em pleno expediente, e incentivado por um psicanalista em um programa de entrevistas, ele escreve uma carta confessando seus maiores segredos, que deve ser escondida e destruída em 24 horas, mas a mesma desaparece, antes que ele pudesse fazê-lo. Em “Uma Aventura Perigosa”, George dos Santos Pacheco descreve de forma audaciosa e sem pudores as aventuras sexuais do “orgulhoso, impulsivo, e machista” Max de Castro; com toques de humor e sarcasmo, narra a impossibilidade de sair ileso a qualquer relacionamento, garantindo grandes surpresas aos leitores.

Ainda neste ano, foi premiado em 3° lugar, na categoria prosa, no I Concurso de Prosa e Poesia de Bom Jardim - RJ, com o conto "O Dono do Bar", durante a III Festa Literária da Serra (FLITS) e publicou a segunda edição do romance " Uma Aventura Perigosa", e o livro de contos "Sete - Contos Capitais". Publicou em 2016 o livro infantil "As aventuras de Frog, o ratinho" e o livro de contos Tarde demais para Suzanne”.

Cadeira nº 38 - Patronímica: Sylvio Romero.
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George dos Santos Pacheco toma posse na Academia Friburguense de Letras


Nesta sexta-feira, 15, às 19h, o escritor George dos Santos Pacheco tomou posse na Academia Friburguense de Letras (AFL), em cerimônia liderada pelo presidente Robério Canto, compondo também a mesa, os acadêmicos Paulo Jordão Bastos, Alberto Wermelinger, Tereza Malcher e o Capitão Tenente Alessandro, representando o Sanatório Naval de Nova Friburgo. Estiveram presentes na cerimônia, os acadêmicos José El-Jaick, Leyla Alves Lopes Silva Mello, além de familiares e amigos do escritor, convidados e representantes de diversas entidades de Nova Friburgo.
 


 




 



O presidente iniciou a cerimônia pedindo um minuto de silêncio em respeito ao falecimento do acadêmico Aécio Alves da Costa, em 29 de março. Após isso, a ata foi lida por Tereza Malcher e o novel acadêmico foi saudado por Alberto Wermelinger. George apresentou em seguida seu discurso, em que homenageou o patrono da cadeira número 38, Sylvio Romero, e seu ocupante anterior, o advogado e professor Manoel Joaquim Falcão. O acadêmico lembrou também Aécio Alves da Costa, fazendo um breve trajeto sobre a biografia do professor e escritor, e recitando seu poema "Vida".
 
 


George é autor do Clube de Autores, e tem textos publicados em diversos sites, tendo sido premiado em 1º lugar, na categoria crônica, e em 2º lugar, na categoria conto, no 1º Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo, Troféu Affonso Romano de Sant’anna. Em 2014, teve seu conto “A Dama da Noite” adaptado para um curta metragem homônimo; o filme foi exibido na II Festa Literária da Serra (FLITS) em Bom Jardim-RJ e em uma sessão exclusiva em uma sala de cinema, além de compor a programação do canal CineBrasil Tv. As filmagens aconteceram em Nova Friburgo, com uma equipe formada na própria cidade e a produção tem servido como portfólio para a implementação do pólo audiovisual.




 

Em 2015, publicou o conto “Tarde demais para Suzanne” na antologia Buriti 100, e o romance “Uma Aventura Perigosa”, além de ser premiado em 3º lugar, na categoria Prosa, com o conto “O Dono do Bar”, no I Concurso de Prosa e Poesia de Bom Jardim – RJ. É também autor de “O fantasma do Mare Dei” (2010) e “Sete – Contos Capitais (2015),“Tarde demais para Suzanne” (2016) e o infantil “As aventuras de Frog, o ratinho” (2016).


















Após a cerimônia foi servido coquetel no salão da academia, tendo sido uma cerimônia leve e descontraída.
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