Membros da Academia Friburguense de Letras visitam escola em Conquista

Alunos da escola com membros da Academia Friburguense de Letras

Em meio aos preparativos da Páscoa, com confecção de ovos e bolo de coelhinho, os alunos da Escola Municipal José Alves de Macedo, em Conquista, receberam a visita de três escritores, membros da Academia Friburguense de Letras (AFL) na semana passada. Foram eles: Tereza Malcher, Ordilei Alves e Robério Canto, este último cujo nome foi dado à sala de leitura da escola.


Doação de livros

A visita contou com a doação de livros e contação de histórias para os alunos. Para encerrar o encontro, os escritores foram ver a obra da nova sede da escola, que segue a todo vapor.

Texto: Rosa H. Martire

Publicado em 30 março de 2016

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Não é para sarapantar


Em 2015, a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) homenageou Mário de Andrade, escritor que nasceu em São Paulo, em 1893. Foi poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta, cuja obra abriu caminhos para a literatura moderna brasileira. Construiu uma obra vasta e inovadora com ensaios, livros de poesia e romances, dentre os quais destaco “Amar, Verbo Intransitivo” e “Macunaíma”. Sua presença foi relevante na Semana de Arte Moderna, em 1922, evento que transformou as artes no Brasil. O prefácio de um dos seus livros de poesias, “Paulicéia Desvairada”, lançado no mesmo ano, apresenta as bases do modernismo brasileiro, como é possível exemplificá-las nos versos do poema Enfibraturas do Ipiranga, deste livro:
Para que cravos? Para que cruzes?
Universalizai-vos no senso comum!
Senti sentimentos de vossos pais e avós!
Para as almas sempre torresmos cerebrais!

No modernismo as estruturas passadas são rompidas. Com relação à literatura, a palavra é usada com liberdade; vai além do racional e revelam o inconsciente. O escritor pode, então, “sonambular”, fazer experiências linguísticas, criar novos termos, recombinar radicais, prefixos e desinências, utilizar uma linguagem simples e coloquial, contendo até mesmo erros propositais de ortografia para melhor expressar percepções e sensações.
“Macunaíma” é um texto inteligente e não é para deixar ninguém sarapantado. É para o leitor avoar sobre o folclore, em suas lendas e mitos dos vários interiores do Brasil. Uma obra para todos. Para os jovens, inclusive.
Não é para ser lido com a sensação “Ai! Que preguiça!...” (expressão do personagem). Mas com cuidados por ser um texto complexo. Requer ser interpretado a partir da extensa pesquisa que Mário de Andrade realizou sobre o povo brasileiro e da sublime criatividade que um autor possa ter.
Por ser um livro fantástico e surrealista, o leitor necessita ser preparado, principalmente o jovem. Inclusive, Macunaíma traz em suas entrelinhas a história do Brasil e do mundo após a primeira guerra mundial, quando o crescimento da urbanização e a evolução tecnológica transformaram a forma de viver e influenciaram as artes, como a literatura. “Macunaíma” conta a trajetória de um estranho personagem que nasce na selva e, quando adulto, transmigra para a cidade, onde se espanta com a multidão e com as máquinas. “A inteligência do herói estava muito perturbada. As cunhãs rindo tinham ensinado para ele que o sagüi-açu não era saguim não, chamava elevador e era uma máquina”. E, finalmente, retorna ao campo, onde morre e se transforma em estrela.
É uma literatura essencialmente brasileira que valoriza as tradições do país. Ora, nosso jovem, acostumado com uma linguagem reduzida pelas mensagens dos celulares, pode ter contato com a de “Macunaíma”, enquanto oportunidade de conhecer um momento histórico cultural que ocorreu no século passado e que se faz hoje presente. Além do mais é uma forma de guardar em si um Brasil imenso; miscigenado e diferenciado.
A FLIP, ao homenagear Mário de Andrade, fez uma reverência à brasilidade, expressou amor à nossa terra, à nossa gente.
Não poderia terminar esta coluna sem dizer que a FLIP possibilita o encontro entre livros, escritores e leitores de todas as idades. E, cá para nós, como é emocionante conhecer o autor, sua vida e o processo pelo qual construiu seus livros. Como “Macunaíma”, enquanto obra descontextualizada do seu tempo e desvinculada de Mário de Andrade tem valor empobrecido.
A Casa Azul, entidade que realiza a FLIP, tem a finalidade de estimular a leitura e a criatividade da criança, através da Flipinha, e do jovem, através da Flipzona, oferecendo debates sobre temas, conversas com autores, palestras sobre vida e obra de escritores, além de oficinas que ocorrem durante a Festa e depois, ao longo do ano. São iniciativas que envolvem também os agentes de leitura. É uma iniciativa que merece nossos aplausos!
Em razão disso, quero expressar algo que toca meu coração. Por que Nova Friburgo não faz uma festa assim? Afinal de contas, aqui é a cidade da inspiração! Não vamos que esquecer que Casimiro de Abreu, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade e J. G. de Araújo Jorge passaram por aqui!

Tereza Malcher

Mestre em Educação (PUC-RJ), escritora de livros infanjuvenis, membro efetivo da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do prêmio OFF FLIP DE LITERATURA - Festa Literária Internacional de Parati.
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Os presidentes da Casa de Salusse


Fundada em 1947, a Academia Friburguense de Letras foi idealizada por duas figuras atuantes do setor cultural da época: Messias de Moraes Teixeira e Rudá Brandão de Azambuja. A eles juntaram-se outros respeitados intelectuais daquele período para criar a associação, que hoje é uma referência na cidade. 

Desde a primeira reunião, realizada ao ar livre, em plena Praça 15 de Novembro (atual Getúlio Vargas), até os dias de hoje, a Academia vem cumprindo com a proposta de incentivar a atividade literária, educativa e cultural da cidade. Também conhecida como a Casa de Julio Salusse, a entidade reúne atualmente cerca de 40 membros. São escritores, poetas, jornalistas, professores e profissionais liberais do município que emprestam seu talento às reuniões e eventos promovidos na casa.

Ao todo, foram 21 presidentes, desde sua fundação. A relação destes notáveis segue abaixo em ordem cronológica:

1º. – Oscar Goulart Monteiro

2º. - Messias de Moraes Teixeira

3º. – Rudá Brandão Azambuja

4º. – José Côrtes Coutinho

5º. – Daniel de Carvalho

6º. – Altino Costa

7º. – Juvenal Marques

8º. – Humberto El-Jaick

9º. – Augusto Cláudio Ferreira

10º. – João Baptista De Moraes

11º. – Antônio Vitiello

12. - Hélio de Albuquerque de Lima Júnior

13º. – Élio Monnerat Solon de Pontes

14º. – Luiz de Gonzaga Malheiros

15º. – Dilva Maria de Moraes

16º. – Maria José Braga


18º. – Antônio Francisco Co Furtado do Amaral

19º. – Augusto Carlos Curvello de Muros


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Posse de José El-Jaick é marcada pela emoção


A Academia Friburguense de Letras promoveu nesta sexta-feira, 11, às 19h, a cerimônia de posse do novo imortal da casa, o escritor José El-Jaick, que passa a ocupar a cadeira nº 19 - patronímica de Henrique Braune Zamith. Na mesma ocasião foi descerrada a foto do ex-presidente Humberto El-Jaick, homenageado pelo acadêmico Ordilei Alves da Costa.


 




José El-Jaick é escritor e médico friburguense, autor de  "O agente do Vaticano", "Malditas Mulheres" e "Enquanto ela contava histórias". A partir da descoberta de Graciliano Ramos, El-Jaick tornou-se leitor dos grandes nomes da literatura nacional e internacional, desde Ésquilo a Guimarães Rosa. À sua longa experiência profissional e humana, acrescentou as qualidades de pesquisador paciente e perspicaz para criar romances que mantêm o leitor preso a cada página, pela eficiente elaboração da trama, pela soma de informações que entremeiam a narrativa e pela qualidade literária de seu texto.







 

Nasceu e viveu em Nova Friburgo, afastando-se apenas por cerca de dez anos para morar em Niterói, cursar a Faculdade Fluminense de Medicina, trabalhar e frequentar cursos de pós-graduação. Antes disso, estudou no Grupo Escolar Ribeiro de Almeida, Colégio Anchieta, Fundação e Colégio Cêfel. Retornando de Niterói, já formado em Medicina, instalei-se em Friburgo definitivamente. É casado, tem três filhos e dois netos. Tem ascendência de duas famílias de origem libanesa: El-Jaick, por parte de pai, e Gastim, por parte de mãe. Dedicou-se à pediatria por mais de 40 anos.
Homenagem a Humberto El-Jaick

O homenageado, Humberto El-Jaick (Nova Friburgo, 11 de fevereiro de 1922) foi um advogado, professor, jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Era filho de José El-Jaick e de Rachel El-Jaick.

Presidiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em sua cidade natal. Em 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual candidatou-se em 1962 a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo apenas uma suplência.


Com a instauração do regime militar em 31 de março de 1964, esteve preso por dois meses, depois do que foi chamado a assumir uma cadeira na Câmara, de agosto de 1964 a janeiro de 1965. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e voltou a ocupar uma cadeira na Câmara em junho de 1966. Nos períodos em que atuou como parlamentar, foi membro da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Pretendia candidatar-se à reeleição em outubro de 1966, mas seu nome foi impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), atendendo a um processo que partiu da Procuradoria da República no estado, segundo o Jornal do Brasil por recomendação do Serviço Nacional de Informações (SNI). Além da impugnação, teve os direitos políticos cassados por dez anos.


Com o fim do bipartidarismo e a anistia aos políticos cassados pelo regime militar, em novembro de 1979, atuou na fundação do novo PTB, junto a Leonel Brizola. Devido, porém, à disputa pela legenda entre o grupo liderado por Brizola e aquele liderado por Ivete Vargas, e a vitória desta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Por esta legenda candidatou-se, sem êxito, a prefeito de Nova Friburgo em novembro de 1982.

Durante o governo de Leonel Brizola (1983-1987), foi presidente da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (CERJ), de 1983 a 1984, e da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), de 1985 a 1986. Foi ainda presidente do conselho fiscal da Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro.

Como escritor, teve suas poesias e contos publicados em jornais e revistas, e foi presidente da Academia Friburguense de Letras.

Faleceu em Nova Friburgo, em 3 de julho de 1990.

Era casado com Zeir Maria El-Jaick, com quem teve seis filhos.
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Lenda de Friburgo


Conta a História que Deus, supremo e inigualável,
quando o Mundo pintou, com divino pincel,
sentiu necessidade extrema e inadiável
de colocar na Terra um pedaço do Céu.

E pensou!... Pensou muito enquanto, imperturbável,
via  e revia – Justo – o sublime painel.
e, por fim, concluiu, com gosto incomparável,
que Friburgo seria o retrato fiel.

Para levar a termo a gigantesca obra
foi-lhe breve semana ainda tempo de sobra,
não precisou de ajuda o Operário-Engenheiro.

Seis dias trabalhou com todo o ardor e afinco:
gastou  apenas um para o Universo inteiro,
levou, para fazer Friburgo, os outros cinco.

Humberto El-Jaick

Humberto El-Jaick (Nova Friburgo, 11 de fevereiro de 1922 - Nova Friburgo, 3 de julho de 1990) foi um advogado, professor, jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Era filho de José El-Jaick e de Rachel El-Jaick. Presidiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em sua cidade natal. Em 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual candidatou-se em 1962 a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo apenas uma suplência. Como escritor, teve suas poesias e contos publicados em jornais e revistas, e foi presidente da Academia Friburguense de Letras.
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Fonte do suspiro


Não sei se vêm do céu ou do cimo do monte;sei apenas que as gera o ventre do horizonteem mágico retiro;depois rolam riscando a densa e verde mataqual um raio de luz sobre um veio de prataas águas do Suspiro!...
Ninguém,  logrou jamais, nem a própria ciência,definir a sublime e dolorosa essênciadessas estranhas águas;difere o seu sabor ao sabor das criaturas:para quem é feliz são límpidas e puras;para quem sofre?! – mágoas.Como se a Fonte fosse um coração humanoa jorrar sonho, e tédio, e desengano,em triste soledade:ora sobre uma flor, ora sobre um espinho,as águas vão rolando e dizendo baixinho:Amor... ciúme... saudade.

Humberto El-Jaick

Humberto El-Jaick (Nova Friburgo, 11 de fevereiro de 1922 - Nova Friburgo, 3 de julho de 1990) foi um advogado, professor, jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Era filho de José El-Jaick e de Rachel El-Jaick. Presidiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em sua cidade natal. Em 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual candidatou-se em 1962 a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo apenas uma suplência. Como escritor, teve suas poesias e contos publicados em jornais e revistas, e foi presidente da Academia Friburguense de Letras.
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Minha terra


Ouve estes versos - forasteiro amigo -e podes crer em tudo que te digosobre a minha Friburgo!...Obra prima de graça e formosura,ela traduz a mais pulcra esculturado Excelso Taumaturgo.Nem de Platão a Atlântida desfeitafoi sonhada tão linda e tão perfeitacomo o que existe aqui!...A Fonte de Juvêncio, o Eldorado,todo o sonho do Homem do Passadoverás, onde eu nasci.
Mas, se acaso duvidas que a belezapode espelhar-se, assim, na Natureza,vê tu, com os olhos teus!...Visita minha terra e, sem despeito,se encontrares um único defeitorasga estes versos meus.
Vê do cimo da imensa Caledônia!...Não teve a legendária Babilônia“jardim suspenso” igual.Seria das paixões a mais profanacomparar-se a mais hábil mão humanaao Poder Celestial.
Percorre do Brasil este recantoe hás de sentir o mais sublime encantoque  pode um sonho teu!...E, em vendo o belo que Friburgo encerra,dirás: - Eu vi, dentro da própria Terra,um  pedaço do Céu.
 
Humberto El-Jaick
 
Humberto El-Jaick (Nova Friburgo, 11 de fevereiro de 1922 - Nova Friburgo, 3 de julho de 1990) foi um advogado, professor, jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Era filho de José El-Jaick e de Rachel El-Jaick. Presidiu o Partido Socialista Brasileiro (PSB) em sua cidade natal. Em 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual candidatou-se em 1962 a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo apenas uma suplência.Como escritor, teve suas poesias e contos publicados em jornais e revistas, e foi presidente da Academia Friburguense de Letras.
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Biografia dos Acadêmicos: Humberto El-Jaick


Humberto El-Jaick (Nova Friburgo, 11 de fevereiro de 1922) foi um advogado, professor, jornalista e escritor brasileiro, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Era filho de José El-Jaick e de Rachel El-Jaick.

Presidiu o
Partido Socialista Brasileiro (PSB) em sua cidade natal. Em 1960, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), legenda pela qual candidatou-se em 1962 a deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo apenas uma suplência.

Com a instauração do regime militar em 31 de março de 1964, esteve preso por dois meses, depois do que foi chamado a assumir uma cadeira na Câmara, de agosto de 1964 a janeiro de 1965. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e voltou a ocupar uma cadeira na Câmara em junho de 1966. Nos períodos em que atuou como parlamentar, foi membro da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

Pretendia candidatar-se à reeleição em outubro de 1966, mas seu nome foi impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), atendendo a um processo que partiu da Procuradoria da República no estado, segundo o Jornal do Brasil por recomendação do Serviço Nacional de Informações (SNI). Além da impugnação, teve os direitos políticos cassados por dez anos.

Com o fim do bipartidarismo e a anistia aos políticos cassados pelo regime militar, em novembro de 1979, atuou na fundação do novo PTB, junto a Leonel Brizola. Devido, porém, à disputa pela legenda entre o grupo liderado por Brizola e aquele liderado por Ivete Vargas, e a vitória desta junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Por esta legenda candidatou-se, sem êxito, a prefeito de Nova Friburgo em novembro de 1982.

Durante o governo de Leonel Brizola (1983-1987), foi presidente da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (CERJ), de 1983 a 1984, e da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja), de 1985 a 1986. Foi ainda presidente do conselho fiscal da Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro.

Como escritor, teve suas poesias e contos publicados em jornais e revistas, e foi presidente da Academia Friburguense de Letras.

Faleceu em Nova Friburgo, em 3 de julho de 1990.

Era casado com Zeir Maria El-Jaick, com quem teve seis filhos.

Fonte: Arquivo FGV
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Leões ou estrangeiros


Hoje, não poderia deixar de falar sobre o projeto “Esta História Também é Sua”, que foi uma interessante contação de histórias! E os jovens estudantes da Escola Estadual Tuffy El-Jaick gostaram de escutá-las.

O projeto aconteceu por solicitação do setor de literatura do SESC de Nova Friburgo, que nos seus braços o acolheu e na sua biblioteca o apresentou. Ele foi planejado e realizado por nós, os acadêmicos da Academia Friburguense de Letras. 

Fizemos uma contação diversificada com palestras, músicas, trovas, raps e poesias, o que deu um toque de arte aos fatos da bela Nova Friburgo. As palestras foram apresentadas pelos acadêmicos: Tereza Cristina Malcher Campitelli (Os primórdios da cidade e suas lendas), Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça (O início do sec. XIX e a fundação da cidade de Nova Friburgo), Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat (Os suíços), Hartmut Riedmaier (Os alemães), Maria Janaína Botelho Corrêa (A estruturação da vila de Nova Friburgo), Robério José Canto (A cidade da inspiração), Ordilei Alves da Costa (O trem). As apresentações foram enriquecidas pelo violão de Paulo Newton, as trovas e poesia de Elisabeth Souza Cruz, bem como pelos rappers Sergio Roberto Pinho Júnior e Fábio Gonçalves do Nascimento.  

Todos nós fomos imbuídos pela preocupação crescente com a nossa cidade!  O que quer dizer que o sentimento de pertencimento fundamentou cada etapa do projeto.

Quem serão amanhã as crianças e os jovens de hoje? Serão Leões ou estrangeiros? Tenho observado que o friburguense se comporta como um estrangeiro na sua própria cidade quando é indiferente à vida e à natureza da região. Age como se fosse um passageiro que observa e comenta. Mas pouco ou nada faz.

O sentimento de fazer parte de um lugar é relevante uma vez que significa interagir ativamente na coletividade, conhecer a história e cuidar. Cuidar não está nos discursos, mas nas atitudes diárias, como ser responsável, vigiar, estar alerta aos acontecimentos. E defender, como os leões fazem. 

É um sentimento de apego que descreve a afirmação “aqui é minha terra e estou entre minha gente”. Esta afeição é determinante na vida e decorre de vários níveis de relação; um deles é o modo de olhar para a história do lugar, ao vê-la da mesma forma como se observa os fatos da própria vida.

Nova Friburgo tem um passado repleto de aventuras e esperanças, romântico e instigante, cheio de fatos pitorescos. Porém não muito conhecido pelas crianças e jovens. Quiçá pelos adultos. O projeto “Esta História Também é Sua” revelou que eles gostaram de conhecê-la e, certamente, os motivaram a querer ler a respeito. Temos obras de literatura interessantes que podem ser lidas por crianças e jovens. 

Contar a eles a história seja nas escolas, na família, até nas praças, revela a vontade de se oferecer contribuições à cidade, o que requer leituras e pesquisas. Se pensarmos bem, o que foi feito e como o foi pode ser contado através da experiência de vida das pessoas que aqui viveram e dedicaram seus esforços, até se sacrificaram, por suas próprias esperanças e sonhos. 

Mão de Luva apesar de ser uma lenda, carregada de incertezas sobre a veracidade dos fatos, descreve o desbravamento dos Sertões do Macacu. Apenas o conhecimento das versões da lenda pode acender o sentimento de pertencimento. Além do mais, precisamos ter heróis, figuras lendárias que descrevem nossos arquétipos, os quais são as bases dos nossos referenciais e das identidades social e individual.

O futuro está na criança e no jovem. E aquelas velhas questões que todos nós nos deparamos no início da vida: quem sou e de onde venho, sempre nos remetem à história onde se vive. Tal desconhecimento favorece a impostura face aos acontecimentos e empobrece os ideais.

Ao longo da realização do projeto, junto aos jovens alunos, reforçamos que o principal objetivo do trabalho foi plantar as sementes na consciência de cada um. Quisemos despertar leões, pois neles está o futuro de Nova Friburgo.
Tereza Malcher
Mestre em Educação (PUC-RJ), escritora de livros infanjuvenis, membro efetivo da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do prêmio OFF FLIP DE LITERATURA - Festa Literária Internacional de Parati. *Publicado originalmente em A Voz da Serra, em 04 de julho de 2015.
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Minhas avós e meus abacates


Hoje, muito honrada, começo a escrever uma coluna em A VOZ DA SERRA sobre a literatura infantojuvenil, direcionada aos agentes de leitura, ou seja, aos pais, avós, professores, bibliotecários ou aos que orientam as crianças e jovens à leitura.
A literatura me sensibiliza desde pequena, quando escutava minhas avós contarem histórias. Fui privilegiada. Tive três avós que me mostraram o encantamento das histórias, cada uma do seu jeito. Com elas, viajei por diferentes e interessantes universos, que me estimularam quando adulta a criar outros.
Minha avó italiana, mãe do meu padrasto, tinha o apelido de Minussa e até hoje não sei se Minussa era escrito com ss ou ç. Mas isso nunca me importou. O que ela me deixou foram histórias. Ao escutá-la, pronunciando as palavras com sotaque, conheci príncipes, castelos e dragões. Já a mãe do meu pai, a vovó Vera, costumava fazer balas de coco, contando fatos de sua vida de criança numa fazenda em Conservatória, RJ. E eu, sentada num banquinho ao lado da pia imaginava as tantas situações que viveu, como construía seus brinquedos com gravetos e tecidos. E a vovó Carmem, mãe da mamãe, traduzia pequenos romances espanhóis com a máquina de escrever, que hoje não se usa mais. Eu, já adolescente, gostava de escutar o bater das teclas e mais ainda de lê-los, depois que eram publicados.
Quando meus filhos eram pequenos, tive a oportunidade de vivenciar de novo a minha infância tão cheia de brincadeiras e observar a capacidade que eles tinham de desvendar o mundo com os olhos curiosos e arteiros, os quais me apontaram caminhos que minha escrita seguiu.
Depois que estudei e entrei na maturidade duas vontades influenciaram meu trabalho de escritora. A primeira foi decorrente do imenso prazer em escrever para crianças e jovens, muito mais do que qualquer outro texto literário. Se bem que a sensação de liberdade me invade sempre que escrevo uma crônica e as palavras saem de mim com facilidade, como se fossem participar de uma festa na folha de papel em branco, o maior desafio para um escritor.
A segunda vontade foi inspirada pelos abacates: ler bons livros.
O abacate, fruto de cor bela e polpa macia, é gostoso de saborear; os melhores precisam estar maduros e serem escolhidos dentre tantos. E o abacateiro para dar frutos saudáveis necessita de terra adubada, sol e chuva. E tempo.
Os abacates são como as histórias. Seu texto é feito por alguém que cria enredos, com personagens e o desenrolar dos fatos, que vai tecendo suas ideias através das palavras de modo a envolver o leitor.
As histórias que trazem valores constroem pessoas. Fazem pensar. Promovem mudanças. Deixam mensagens que podem ser guardadas e usadas na vida. Podem contar fatos simples, presentes no quotidiano, e quando lidas respaldam a experiência existencial. Como “Avó com Cheiro de Pão Caseiro”, editora Zit, em que Zé Zuca aborda o amor em idade avançada, ao descrever o espanto de um menino de onze anos, o Lúcio, que descobre que sua avó tem um namorado, o padeiro. Um livro delicioso de se ler.
Livros alimentam pensamentos e abacates, o corpo.
É, assim, com este modo de pensar que vou escrever a coluna.
Espero que gostem!
Tereza Malcher
Mestre em Educação (PUC-RJ), escritora de livros infanjuvenis, membro efetivo da Academia Friburguense de Letras e ganhadora, em 2014, do prêmio OFF FLIP DE LITERATURA - Festa Literária Internacional de Parati.
*Publicado originalmente em A Voz da Serra, em 28 de junho de 2015.
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Elas, as tecelãs


 Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores (Cora Coralina)

Elas queriam muito, queriam demais: trabalhar apenas dez horas diárias, e não dezesseis; queriam um pouco mais de respeito no ambiente de trabalho e - imaginem! - receber o mesmo salário que os homens. Enfim, sendo apenas mulheres, estavam querendo ser gente. No dia 8 de março de 1857, em Nova York, reuniram-se para reivindicar tais absurdos. Tecelãs de vida, sonhavam-se mais do que tecedoras de linhas e panos.

Quando puseram fogo na fábrica onde as operárias se aglomeravam, matando cerca de 130 delas, os tolos de então julgaram ter calado de vez a voz feminina. Cantaram como sua uma vitória, que, a História mostraria, era apenas o começo das grandes vitórias das mulheres sobre o preconceito, a injustiça e o atraso.

Foi fácil? Claro que não! Se fosse fácil, Deus tinha entregue a tarefa aos homens. Somente em 8 de março de 1910, foi criado o Dia Internacional da Mulher, data que precisou esperar o ano de 1975 para ser oficializada pela ONU.
Mas elas estão aí, vitoriosas. Dirigem caminhão, prendem bandidos, governam países e, como sempre, desde sempre, ensinam aos filhos as branduras e as durezas da vida, transformam palácios e barracos em lares. Com elas, os homens vão aprendendo que suavidade e ternura são apenas formas mais bonitas de determinação e competência.

O mundo ficou melhor. Fica melhor a cada dia em que homens e mulheres caminham juntos – iguais e diferentes - na desafiadora caminhada humana em busca da felicidade.

E porque elas merecem muito mais do que essa minha modesta homenagem, acrescento, pelo Dia Internacional da Mulher, um poema de quem tanto as conhecia, admirava e exaltava: Vinícius de Moraes.

Soneto de Contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma…
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

Robério José Canto
 
Robério José Canto é licenciado em Letras, tendo se dedicado ao ensino de português e literatura em escolas da rede particular e pública, lecionando em Nova Friburgo, sua cidade natal, e no Rio de Janeiro. Há longos anos colabora com imprensa friburguense, abordando temas de literatura e cultura em geral. Mantém a coluna Escrevivendo, em A Voz da Serra, no qual semanalmente publica crônicas e contos, além de eventualmente colaborar com outras seções do jornal. Publicou os livros “Um lugar muito lá”, “Ventos nas casuarinas”, “Menina com flor”, “O infinitivo e outros males”, “Onde dormem as nuvens” e “Toda criança merece ter um bicho”. Dentre outras distinções, recebeu o título de Cidadão Pleno Destas Terras de D. João VI, conferido pela Cidade de Nova Friburgo e o GAMA - Grupo de Arte Movimento e Ação;  a Moção Especial de Louvor  “pela valorosa  obra em prol da cultura e da Educação”, concedida pela Câmara Municipal de Nova Friburgo, e o Troféu Pégaitaz Irenee René, como um dos “Melhores do ano de 2015”, por decisão do Conselho de Representantes de Eventos Culturais de Nova Friburgo, “Diploma de Mérito Cultural”, outorgado pela Academia Nacional de Letras e Artes – ANLA; agraciado com Menção Honrosa pela Academia Ferroviária de Letras, dentre as Personalidades de Destaque de 2015. O 3º. Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo conferiu aos vencedores o Troféu Robério Canto. É presidente da Academia Friburguense de Letras, ocupando a Cadeira no. 4, patronímica de Alphonsus de Guimarães.

Cadeira nº 04 - Patronímica: Alphonsus de Guimarães 
 
*Publicado originalmente em A Voz da Serra, em  02 de março de 2016.
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Biografia dos Acadêmicos: José El-Jaick


José El-Jaick é escritor e médico friburguense, autor de  "O agente do Vaticano", "Malditas Mulheres" e "Enquanto ela contava histórias". Nasceu em Nova Friburgo - RJ, no bairro de Vila Amélia, em 30 de agosto de 1940.
Filho mais velho de Galdino El-Jaick e Olívia El-Jaick (Olívia Gastim, em solteira). Exceto a avó materna, Alexandrina Cordeiro, os demais eram de origem libanesa: José El-Jaick (falecido antes de 1940), Rachel El-Jaick e Mário Gastim.
Pai comerciante (Camisaria Friburgo) e mãe dona-de-casa (quando solteira, operária na antiga Fábrica de Filó)
Irmão de Rachel El-Jaick, Maria José El-Jaick, Sérgio El-Jaick e Angélica El-Jaick.
Casou-se em 4 de julho de 1970 com Therezinha da Silva Grillo, que passou a se chamar Therezinha Grillo El-Jaick. Têm três filhos: Márcio, Juliana e Ana Paula. Da filha Juliana têm dois netos: José El-Jaick Neves e Victor El-Jaick Neves.
Estudou no Grupo Escolar Ribeiro de Almeida, Colégio Anchieta, Colégio Cêfel e Colégio Plínio Leite e se graduou em 1965 na Faculdade de Medicina da então Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, hoje Universidade Federal Fluminense.
Especializou-se em Pediatria, Neonatologia, Administração Hospitalar e Administração de Serviços de Saúde.
Na área médica publicou:
  • Causas de... em Pediatria (coautoria com Waldir Bastos), pela Âmbito Cultural Edições Ltda. (em 1979)
  • Independência Financeira em Medicina, pela Editora de Publicações Biomédicas Ltda. (em 2002)
Como romancista, publicou pela Editora Rocco:
  • O agente do Vaticano (em 2007)
  • Malditas mulheres (em 2008)
  • Enquanto ela contava histórias (em 2014)
Ingressou na Academia Friburguense de Letras (AFL) no dia 11 de março de 2016, sob a presidência do acadêmico professor e escritor Robério José Canto, ocupando a cadeira nº 19, patronímica de Henrique Braune Zamith, deixada vaga por Augusto Carlos Curvello de Muros. Foi saudado pelo acadêmico Aécio Alves da Costa. Na mesma solenidade, foi realizado o Descerramento da foto do Ex-Presidente da AFL Humberto El-Jaick, tio de José. O acadêmico Ordilei Alves da Costa homenageou o ex-presidente.
Cadeira nº 19 - Patronímica: Henrique Braune Zamith.
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