Fim de caso

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A moça brigou com o namorado nas Furnas do Catete, onde tinham ido tomar caldo de cana e ver a cachoeira do Véu das Noivas que, por sinal, estava seca. Contou-lhe muitos desaforos, chamou-o de todos os nomes feios de que pôde se lembrar na hora. Namoravam há mais de três anos, namoro moderno desde o primeiro dia, posto que começou numa inocente festa de batizado e na mesma noite se consumou num motel da estrada Friburgo-Teresópolis.
O rapaz era bem pobre, mas ela, que tinha até um Fiat 82, não se importava com isso e, sem constrangimento, dormia com ele na meia-água em que ele morava em Conselheiro, sendo que o verbo dormir é aí um eufemismo. Quantas vezes ele jurou amor, e quantas vezes planejaram casamento, só contando as areias de todas as praias brasileiras para se saber.
De repente, sem mais por quê, ele vem com a conversa de “dar um tempo”, “quem sabe no futuro”. Até em “a gente se conhecer melhor” o miserável falou. Faltava conhecer o quê? “Você me conhece de todas as maneiras, só não me viu ainda morta”, disparou, e era verdade. Pegou o Fiat 82 e se mandou, ele que visse de ônibus. Ou a pé. Tomara que venha a pé e seja atropelado.
No Prado, já mais calminha, jurou para si mesma que nunca mais olharia para aquele desgraçado, aliás nunca mais falaria o nome dele: Zé Luiz. Parou na entrada de Duas Pedras, apanhou o caderninho que estava no porta-luvas e riscou o nome do celular dele (Metido: não tem onde cair morto, mas anda de celular pendurado na orelha). Um pouquinho mais difícil era apagar o número da cabeça, sabia aquela desgraça de cor há muito tempo).
Nunca mais queria saber dele. O ódio era tanto que quase estacionou no pátio do Hospital Raul Sertã para pedir um calmante. Resolveu não dar tanta confiança para aquele mequetrefe, um pé rapado e, pra falar a verdade, muito ruim de cama. Não que tivesse conhecido outro, mas podia jurar que Zé Luiz era um amante muito frouxo. Bom para se encher de cerveja, que ela pagava, e depois dormir e roncar.
Furou o sinal quando entrou na Galdino do Valle Filho, felizmente não tinha carro atravessando, mas um pedestre fez um gesto obsceno, que ela respondeu com outro pior ainda. Era católica, mas ao passar pela Igreja Luterana fez o sinal da cruz e jurou que nunca mais queria saber de namorar lixo, daqui para frente só se aparecer um homem de verdade.
Canalha, patife, bandido, corno, de tudo isso ela o chamou enquanto atravessava o Paissandu, embora o último adjetivo não fizesse sentido. À medida que se aproximava de Olaria, a raiva diminuía. No Cônego, já estava em paz consigo mesma. Ele não presta mesmo. Não ia perder tempo por causa de um homem que nem emprego fixo tinha e, além de tudo, era bem feio, um nariz que parecia tromba de elefante. Sim, não ia dar a ele o prazer de achar que ela estava sofrendo. Nunca mais procuraria por ele, e mesmo que ele a procurasse, ia dispensar numa boa.
Tinha chorado um pouco, ainda restavam umas lágrimas escorrendo pelas bochechas. Mas estava resolvida: nunca mais queria saber daquela porcaria de homem. Chegou à Cascatinha, onde morava com os pais.
Mas antes de ir para casa, parou num orelhão e discou o número do celular de Zé Luiz.


Robério José Canto


Robério José Canto é licenciado em Letras, tendo se dedicado ao ensino de português e literatura em escolas da rede particular e pública, lecionando em Nova Friburgo, sua cidade natal, e no Rio de Janeiro. Há longos anos colabora com imprensa friburguense, abordando temas de literatura e cultura em geral. Mantém a coluna Escrevivendo, em A Voz da Serra, no qual semanalmente publica crônicas e contos, além de eventualmente colaborar com outras seções do jornal. Publicou os livros “Um lugar muito lá”, “Ventos nas casuarinas”, “Menina com flor”, “O infinitivo e outros males”, “Onde dormem as nuvens” e “Toda criança merece ter um bicho”. Dentre outras distinções, recebeu o título de Cidadão Pleno Destas Terras de D. João VI, conferido pela Cidade de Nova Friburgo e o GAMA - Grupo de Arte Movimento e Ação;  a Moção Especial de Louvor  “pela valorosa  obra em prol da cultura e da Educação”, concedida pela Câmara Municipal de Nova Friburgo, e o Troféu Pégaitaz Irenee René, como um dos “Melhores do ano de 2015”, por decisão do Conselho de Representantes de Eventos Culturais de Nova Friburgo, “Diploma de Mérito Cultural”, outorgado pela Academia Nacional de Letras e Artes – ANLA; agraciado com Menção Honrosa pela Academia Ferroviária de Letras, dentre as Personalidades de Destaque de 2015. O 3º. Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo conferiu aos vencedores o Troféu Robério Canto. É presidente da Academia Friburguense de Letras, ocupando a Cadeira no. 4, patronímica de Alphonsus de Guimarães.

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Menina de Rua (mas não tanto)

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Não, não quero adotá-la.
Se bem que, pensando bem...

Pede para falar comigo, vou pessoalmente ver quem é a tal Edilberta. Até que é bonitinha. Não é que eu, vinicianamente, ache que beleza é fundamental. Mas isso é a primeira coisa que a gente repara numa mulher, não me venha agora você sustentar o contrário, só porque sua patroa está presente.  Convido a visitante a sentar-se e, a bem da verdade, essa é uma boa ação que pratico também com as mais feias e mesmo com os marmanjos. Não é sem motivo que certa senhora me considera “um cavalheiro de antigamente”. Pois bem, disponho-me a ouvir Edilberta, que deseja me entrevistar, visto que ela, chegada ontem de Fortaleza, já foi informada de que sou "uma pessoa muito considerada na cidade", vejam vocês, eu mesmo desconhecia esse fato glorioso a meu respeito.

 As perguntas são sobre as miudezas habituais: nome, idade, profissão. Ao item “sexo” quase me furtei a responder, porque até então eu  achava que, só de olhar para mim, a pessoa já podia concluir, sem precisar de confirmação de minha parte. Enfim, “cavalheiro de antigamente”, vou respondendo na melhor forma da lei, como lá dizem nossos doutos advogados. Mas a entrevista vai ficando embaraçosa, à medida que Edilberta quer saber que nota eu daria à  saúde no município, à educação no estado, à honestidade no país.

Minha avó me ensinou que peixe morre pela boca. Meu avô, talvez achando que provérbio demais também mata, ficava calado. Não chego a ser tão prudente quanto meu avô, mas também não saio por aí mordendo qualquer isca, só porque a pescadora é bonitinha. Levado por tão alta sapiência, eu é que começo a  questionar a entrevistadora. E ela me conta uma história de cortar o coração das estátuas se é que estátuas têm coração. De família paupérrima em Fortaleza, escapou das drogas e da prostituição infantil (essa notável atração turística nacional) graças às senhoras caridosas que, naquela cidade, recolhem e acolhem  meninas  de rua. Durante alguns anos morou com as ditas senhoras, mas que, aos dezoito, precisou abrir vaga para outra deserdada que chegava.  
Voltando ao interrogatório, Edilberta quer saber quem eu acho que é culpado por haver crianças de rua: a família, a sociedade ou o governo. A questão me parece muito complexa para ser reduzida a um x entre três parênteses possíveis. A caneta espera ansiosa e, já que demoro tanto, a própria entrevistadora  me socorre, isentando a família.  Ainda assim, preciso decidir entre o governo e a sociedade (Edilberta e a caneta me olhando, concentradas). Mas, tão logo eu  me decido por "ambos",  a moça quer saber se eu adotaria uma menina de rua. Depois de  rápidas reflexões religiosas, morais e filosóficas, respondo que sim. Pra quê !!! 
- O senhor me adotaria?
 Edilberta me pergunta, me olhando nos olhos. Pois ora, ora!  Aqui está essa moça, até bonitinha, a me propor essa questão assaz embaraçosa. Não fosse eu o já duas vezes citado “cavalheiro de antigamente”, teria dito alguma gracinha de duplo sentido.  No entanto, limitei-me a perguntar (e um São Francisco que estava na moldura atrás de mim é testemunha) o que significava aquele “o senhor me adotaria?”  
Pois bem, se vocês pensaram mal de Edilberta, estão enganados e terão que um dia responder, diante do próprio São Francisco, por esse mal pensamento. Porque, o que a moça tem a oferecer é, nada mais, nada menos do que “uma importantíssima obra cultural”, que vem a ser uma penca de dicionários ilustrados, receitas culinárias e as obras completas de José de Alencar. Adotar Edilberta significa comprar algumas dessas preciosidades, que “uma pessoa conceituada como o senhor não pode deixar de ter em sua casa”. 

Pobre Edilberta! Lá se foi o pouco encanto que nossa conversa estava me proporcionando. Então, era apenas para me vender livros! Francamente, tem coisas que chateiam até um cavalheiro, mesmo dos de antigamente. Uma delas é vir com essa conversa de menina de rua, e depois querer nos empurrar José de Alencar e livros de culinária. 
Delicadamente, aconselho Edilberta a ir bater em outra porta. Não, não quero adotá-la.  
Se bem que, pensando bem...

Robério José Canto
 
Robério José Canto é licenciado em Letras, tendo se dedicado ao ensino de português e literatura em escolas da rede particular e pública, lecionando em Nova Friburgo, sua cidade natal, e no Rio de Janeiro. Há longos anos colabora com imprensa friburguense, abordando temas de literatura e cultura em geral. Mantém a coluna Escrevivendo, em A Voz da Serra, no qual semanalmente publica crônicas e contos, além de eventualmente colaborar com outras seções do jornal. Publicou os livros “Um lugar muito lá”, “Ventos nas casuarinas”, “Menina com flor”, “O infinitivo e outros males”, “Onde dormem as nuvens” e “Toda criança merece ter um bicho”. Dentre outras distinções, recebeu o título de Cidadão Pleno Destas Terras de D. João VI, conferido pela Cidade de Nova Friburgo e o GAMA - Grupo de Arte Movimento e Ação;  a Moção Especial de Louvor  “pela valorosa  obra em prol da cultura e da Educação”, concedida pela Câmara Municipal de Nova Friburgo, e o Troféu Pégaitaz Irenee René, como um dos “Melhores do ano de 2015”, por decisão do Conselho de Representantes de Eventos Culturais de Nova Friburgo, “Diploma de Mérito Cultural”, outorgado pela Academia Nacional de Letras e Artes – ANLA; agraciado com Menção Honrosa pela Academia Ferroviária de Letras, dentre as Personalidades de Destaque de 2015. O 3º. Concurso Literário da Câmara Municipal de Nova Friburgo conferiu aos vencedores o Troféu Robério Canto. É presidente da Academia Friburguense de Letras, ocupando a Cadeira no. 4, patronímica de Alphonsus de Guimarães.   
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D. Pedro II no Líbano

Houve um momento em que árabes e, notadamente os libaneses, passaram a se interessar em emigrar para o Brasil, transformando-o no país de sua predileção. Levando-se em consideração a distância geográfica, os poucos contatos com o pequeno número de libaneses no Brasil, o que teria despertado tal interesse ? Episódios ainda não explorados pelos historiadores, e que aguardam serem devidamente estudados, são as viagens do nosso imperador D. Pedro II (*1825 e †1891) ao Oriente Médio nos idos de 1871 e 1876.
Os registros históricos nos ensinam que o imperador foi um grande cidadão, um administrador empreendedor, possuidor de grande cultura e amante das artes e das ciências em geral. Dotado de uma mente brilhante e voltada para a pesquisa, ficou também conhecido como “O Rei Filósofo”, fato que muitos brasileiros desconhecem. Viajante inveterado, conheceu vários países do mundo, notadamente quase toda a América, a Europa e o Oriente Médio. Era um entusiasta do chamado Levante, da Cultura e da Literatura Árabe, chegando mesmo a estudá-la e aprendê-la com um professor arabista alemão. Consta que não só dominava o idioma árabe, como também a língua hebraica, bem assim alguns outros. Existe, na Biblioteca Nacional, Seção de Manuscritos, um grande acervo documental sobre suas viagens. No Departamento de Iconografia, uma coleção de fotos, algumas feitas pelo próprio Imperador, assim como outras adquiridas em cada um dos países por onde andou, dos mais renomados fotógrafos da época. Aliás, era ele um aficcionado pela fotografia desde a idade de 14 anos, quando em 1840 adquiriu um daguereótipo, três meses antes de o aparelho ter sido lançado em New York.
Durante suas viagens pelo Brasil e pelo exterior ele registrava, com a fidelidade da imagem, todos os fatos e coisas interessantes acontecidas. É de sua lavra o grande álbum de fotos “Collecção D. Thereza Christina Maria”, nome de sua mulher, com cerca de 40 mil fotos, considerado o maior acervo de um governante no Século XIX. Entre elas, estão as fotos de sua passagem pelo Egito em 1871, e ao Líbano, Síria, Palestina e Egito em 1876.
O interesse de D. Pedro II pelo Líbano teve início em seu primeiro contato com o Conde Miguel Debbane, nascido em Sidon (*1806 e †1872), que tinha emigrado para o Egito, tornando-se o Cônsul Honorário do Brasil em Alexandria. Nessa cidade, Miguel Debbane mandou construir, em 1868, uma igreja cristã Greco-Melquita (Rito Bizantino) consagrada a São Pedro, em homenagem a D. Pedro II. Teria sido este o episódio que particularmente motivou o imperador a se aproximar do Oriente Médio e, notadamente do Líbano.

PRIMEIRA VIAGEM
Chegando em Marselha, D. Pedro II desvencilhou-se logo de imediato, do pessoal da Corte, pois costumava abolir o protocolo, para encontrar-se com os homens de ciência cujos escritos conhecia. Em Cannes recebeu a visita de William E. Gladstone, o grande estadista inglês. Em Montpellier visitou a Academia de Medicina, grande centro divulgador das ciências médicas fundado por mestres árabes e judeus no Século XII.
Em Paris participou de manifestações culturais e da conferência do ilustre filósofo Adolphe Franck. Durante o evento, o filósofo, identificando-o na platéia, fez-lhe grande homenagem, dizendo: 
 
“Um grande imperador moderno tomou o peito de extirpar, no seu império, a chaga social que é a escravidão. Este Imperador, filantropo e sábio, não é um mito: ele existe, está cheio de vida, percorrendo os grandes centros europeus para estudar e ver o progresso. Este imperador filósofo, vós podeis vê-lo, ele está ali, ao nosso lado (indicando o imperador) Entrevistou-se ainda com Louis Pasteur e Ernest Renan, com quem conversou sobre as línguas semíticas. Em Madri, esteve na Academia Espanhola de Letras, onde discursou no mais puro castelhano. Em seguida, empreendeu viagem para Alexandria, no Egito, onde encontrou-se com o Conde Miguel Debbane, de quem já se falou. De Alexandria partiu para o Cairo, encontrando-se lá com egiptólogos de vulto como François Auguste Ferdinand Mariette, Heinrich Karl Brugsch, Guillardot e Rougé, discutindo ciências e línguas antigas. Segundo depoimento de seu amigo Miguel Debbane, D. Pedro II costumava dirigir-se à modesta casa de Brugh, no bairro Koladi, tomar chá e discutir ciências. Regressando ao Brasil, teria continuado os seus estudos de egiptologia, assim como das línguas antigas e do idioma árabe.

SEGUNDA VIAGEM
Em 1876 D. Pedro II fez sua segunda grande viagem para o exterior, começando pelos EUA, onde participaria das comemorações do Centenário da Independência. Esteve em Filadélfia, onde se entrevistou com Graham Bell, recebendo de presente o seu estranho invento: um telefone. Em seguida passou por Niágara, percorreu quase todos os estados americanos, e após boa parte do Canadá. Dali foi para a Europa. Na Alemanha realizou a clássica viagem pelo Reno, seguiu para Bayerouth, o templo da ópera wagneriana, para ver à primeira execução de “O Anel dos Niebelungos”. Em Paris encontrou-se com Victor Hugo, e foi recebido na Academia de Ciências de Paris. Nesta viagem esteve em Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra Bélgica, Holanda, Suíça, Dinamarca, Suécia, Rússia, Turquia, Grécia, Líbano, Síria, Palestina, e Egito, pela segunda vez.
A Histórica visita de D. Pedro II ao Líbano, no período de 10 a 16 de novembro de 1876, embora tenha se caracterizado como uma viagem científica, de turismo e reconhecimento, é considerada a primeira visita oficial, de uma longa série de outros contatos posteriores, entre os dois países. Vindo da Europa, passando por Atenas, na Grécia, D. Pedro II se maravilhou diante das monumentais montanhas libanesas, descrevendo-as, para seu amigo Gobineau, da seguinte forma: “A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com os seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa”. Encontrando-se com autoridades civis, religiosas, e a intelectualidade local, foi magnificamente bem recebido, impressionando-se, sobremaneira, com a operosidade do povo libanês. Num desses encontros, manifestou expressamente o desejo de ver, no Brasil, o maior número possível de libaneses, prometendo-lhes proteção e assegurando-lhes, caso decidissem emigrar, um retorno próspero, feliz e com muitas riquezas. A promessa foi rigorosamente cumprida quando, a partir de 1880, o país começou a receber as levas de libaneses, dando-lhes todas as facilidades possíveis. Consta que o Imperador os recebia em Palácio como um pai o faria, fato que certamente justificaria o grande amor que os libaneses, em geral, têm pelo Brasil, sua segunda pátria.
O Imperador desembarcara no Porto de Beirute acompanhado de sua esposa Dona Tereza Cristina e de uma comitiva de cerca de 200 pessoas (damas, barões, viscondes), do navio “Áquila Imperial”, de bandeira brasileira, como o primeiro ponto da viagem que depois se estenderia a Jafa (então Palestina), até o Egito. Na ocasião, o Líbano era um pequeno emirado, com relativa autonomia, pertencente ao Império Otomano, submissão essa que vinha desde os idos de 1500 e encerrou-se em 1918, final da I Grande Guerra. Além disso, a semi-autonomia era garantida pelas grandes potências européias (Inglaterra, França, Rússia, Prússia e Itália), de acordo com o Protocolo de Constantinopla, datado de 9 de dezembro de 1861. Estruturada como Província-Geral, ou “Mutassarrifat” (1860-1918), era administrada pelos governadores-gerais ou “mutassarrifs” nomeados pela “Sublime Porta”, designação alusiva ao Governo Otomano Central.
Conhecedor dos costumes e idioma locais, D. Pedro II conheceu toda a cidade de Beirute e uma boa parte do país. Grande porto marítimo do Mediterrâneo, ela se constituía na encruzilhada entre o mundo ocidental e o oriente, com intensa atividade nos meios de comunicação, transportes e centro universitário. Cultor da pesquisa histórica, o Imperador percorreu os bairros antigos, a Igreja de São Jorge (greco-ortodoxa, construída em 1767, e a mais antiga), a Igreja de São Luis dos capuchinhos, e a mesquita do Serralho. Conheceu também algumas cidades milenares como Junieh, passando por Nahr Al-Kalb, com suas lápides antiqüíssimas, Bkerke (sede do Patriarcado da Igreja Maronita) e, em seguida, visitou o chefe religioso-político do Líbano, o Patriarca Boulos Massad.
De volta a Beirute, visitou o Colégio Protestante Sírio (fundado em 1866 e que mais tarde transformou-se na Universidade Americana de Beirute), o Colégio Francês dos Jesuítas (fundado em 1875 e que depois se tornou a Universidade Saint Joseph) e muitas outras instituições. Encontrou-se com os grandes mestres das ciências e da literatura libanesas, principalmente com um dos principais gramáticos da língua árabe, Ibrahim al-Yazigi, ocasião em que lhe foram ofertados vários livros ricamente ornamentados, hoje pertencentes ao acervo do Museu Imperial de Petrópolis. Visitou o eminente professor Cornelius Van Dyck, missionário protestante, holandês de origem, norte-americano de nascimento e libanês de pátria, que emigrara para o Líbano em 1840. Grande arabista, astrônomo e médico, estudou medicina em Springfield e Jefferson (Filadélfia – EUA), estudou árabe com o cheique Youssef al-Asir, fundou com Boutros al-Boustani a Escola de Abaye, foi reitor do Colégio Protestante Sírio, fundou a Faculdade de Medicina e o Observatório de Beirute. Traduziu a Bíblia do hebraico e do grego para a língua árabe, tendo escrito inúmeros livros. D. Pedro II foi por ele carinhosamente homenageado, recebendo de presente a coleção completa de suas obras. Fato curioso devidamente registrado, à época, é que o Imperador assistiu uma das aulas de Van Dick na Universidade, sentado entre os alunos.
Nova excursão fora de Beirute, agora visitando Baabda e o Governador-Geral Rouston Pacha Mariani, conversando sobre generalidades do país e suas impressões sobre a região. Em seguida prosseguiu viagem em direção ao Vale do Bekaa, passando pela cidade de Chtaura.

O transporte na época era feito em carruagens pertencentes à “Sociedade Otomana da Estrada de Beirute a Damasco” (fundada em 1861), cujo trajeto incluía diversas paradas, principalmente em Chtaura e Sofar. Atravessou o Vale em direção a Baalbeck, passando por Zahle, deixando-se encantar pela paisagem, pelas plantações e pela fertilidade da terra e pelo Rio Bardawni. A comitiva se movimentava juntamente com a escolta de um grupo de soldados, cujo líder portava uma longa lança com estandarte verde-amarelo. Na passagem, D. Pedro II teve a oportunidade de conversar com muitos dos camponeses que curiosos assistiam o cortejo, falando-lhes do país que representava, onde já se encontrava um pequeno número de libaneses, procedentes do Egito e da Europa. Nessa ocasião, ficara vivamente indignado com as precárias condições do ensino na região, dando ensejo a fazer a contribuição-doação de 15.000 francos, em benefício de sua melhoria, depositado no Banco Otomano de Beirute, atual Banco da Síria e do Líbano.

A passagem de D, Pedro II pelo Vale do Bekaa repercutiu, por muitos anos, nas lembranças da população de toda a região, do qual falavam sempre com muito afeto, referindo-se a ele como o simpático Imperador filósofo, simples e amigo da gente simples. Não é sem motivo que a maior parte dos emigrantes libaneses para o Brasil partiram do Vale do Bekaa, entusiasmados com a sua promessa. Aliás, uma das antigas ruas de Zahle, que conduz ao Rio Bardawni, foi chamada de Rua Brasil. Mas o primeiro grupo partiu da localidade de Sultan Yacoub, em 1880.

A viagem de D. Pedro II recebeu dos jornais e revistas da época, comentários os mais diversos, a exemplo do que se segue:
... O imperador, após visitar a Europa (...), chegou a Beirute, onde permaneceu alguns dias, visitando colégios e hospitais. Naquele momento estávamos na Faculdade de Artes, Ciências Naturais, Matemáticas e Astronomia do Colégio Sírio. Seu diálogo conosco foi sobre as ciências e os livros modernos que adotamos para o ensino. Assim descobrimos nele um profundo conhecedor de ciências e das novas edições sobre o assunto. E, no momento em que dissemos haver adotado os livros de Robson para o ensino da matemática, ele respondeu que fizemos a melhor escolha, por ser melhor que tais e tais autores, e o mais utilizado nas escolas. Em seguida explicou os motivos de tal preferência. Ele viu a revista “Al-Musktataf”, observou seus artigos e solicitou os números já publicados até o momento. Encorajou-nos a continuar a publicação e disse: 
 
devo estudar melhor a língua árabe para poder conhecer todo o conteúdo’. Depois, visitando o Colégio, encontrou-se com o nosso Professor Dr. (Cornelius) Van Dick, dizendo: 
 
Não preciso que ninguém apresente este honrado doutor. O senhor já é bem conhecido por mim, já escutei falar muito dos seus conhecimentos e profunda dedicação. Queria mesmo encontrar-me com o senhor para conhecê-lo pessoalmente, da mesma forma que já tive a oportunidade de conhecer teus colegas, os cientistas’.
Na hora de despedir-se (do doutor), perguntou se poderia obter uma de suas “Classificações de Ciência” para então decorar sua biblioteca. Nosso professor ofereceu a Sua Majestade.
Foi assim o tratamento dispensado aos estudantes. Vimos os cônsules, os generais e outros homens de política virem diante dele com grande respeito. Quanto a ele, não se interessava por aqueles como se interessa pelos mais simples e pelas pessoas que aspiram e dedicam-se aos estudos (...)” — e o artigo continua a discorrer sobre seu caráter pessoal. (Publicação do “Al Muktataf, de 1º. De março de 1877, volume 16, número 6, páginas 266-271. Revista de caráter histórico-literário, fundada em Beirute em 1876 pelos diretores Yacoub Sarrouf e Farés Nimr. Em 1883 a revista foi transferida para o Cairo, Egito).
Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat
 
Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat – Nascido em Duas Barras(RJ), é descendentes de famílias portuguesas, libanesas e suíças. Economista aposentado do Banco Central do Brasil, foi diretor de empresas governamentais brasileiras no exterior. É membro da ACADEMIA FRIBOURGUENSE DE LETRAS – AFL, da SOCIÉTÉ FRIBOURGEOISE DES ÉCRIVAINS – SFE, (de Fribourg, Suíça), da SOCIÉTÉ D’HISTOIRE DU CANTON DE FRIBOURG (Suíça), e membro do CBG-COLÉGIO BRASILEIRO DE GENEALOGIA.


Fonte: ”As viagens de D.Pedro II – Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876 – Roberto Khatlab.
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A Imigração Suíça de 1819 - Origem da Formação Sócio-Econômica da Região Centro Norte Fluminense

O período das guerras napoleônicas deixou, por muitas décadas, seqüelas inimagináveis pelo Imperador Napoleão Bonaparte, não só no continente europeu como também nas Américas, e particularmente no Brasil. A Confederação Helvética ou Suíça, que sofrera mudanças territoriais significativas, passara também por problemas que ocasionou distúrbios afetando sua integridade político-social. Com a chegada do liberalismo econômico e as crises de 1816-1817, agravada pelo insucesso das suas safras agrícolas, a fome havia chegado aos lares suíços. O ápice da crise fora determinado pela explosão do vulcão Tambora, da Ilha de Sumbawa, na Indonésia, que lançou na atmosfera terrestre enorme quantidade de material vulcânico a uma altura de 33 quilômetros. A liberação dos gases bloqueou a maior parte dos raios solares, trazendo conseqüências funestas em todo o mundo, principalmente no hemisfério norte do planeta. O ano de 1816 passou à História como o “Ano sem verão”, “Ano da Pobreza” ou ainda “Eighteenhundred and frozen to death”, significando mais ou menos “mil e oitocentos e morte de frio”. Na Suíça o resultado não poderia ter sido pior, pois apesar da proximidade do verão, a chuva e o frio não dão trégua. A vegetação sofre e as colheitas fracassam, provocando uma imensa ausência dos víveres e uma inflação assustadora, ocasionando a fome e a miséria. Por isso, a Confederação Helvética não tinha mais como alimentar a totalidade de seus cidadãos, e a solução que, à época, pareceu mais adequada, foi permitir movimentos migratórios para o exterior.
Um cidadão da Gruyère, de nome Nicolas-Sébastien Gachet, foi então nomeado pelo Cantão de Fribourg para negociar, com o Príncipe Regente D. João, do Reino do Brasil, Portugal e Algarves, a instalação de uma colônia suíça em território brasileiro. - Tal iniciativa encontrou campo extremamente favorável no seio das autoridades imperiais luso-brasileiras, pois, a exemplo dos demais países europeus, o Reino de Portugal, estrategicamente indefensável a exércitos invasores, também já sofrera a investida de Napoleão Bonaparte. D. João e toda a corte portuguesa, numa retirada estratégica, buscara refúgio na sua colônia americana e, em 1808, se instala no Rio de Janeiro. A cidade cresce e procura se organizar. Precisava-se de mão-de-obra de todo o tipo, profissionais liberais, artesãos e, principalmente, soldados.
Após as negociações de praxe, em 16.05.1818, o Príncipe Regente e futuro Rei D. João VI, por Decreto Real, ratifica e aprova as “CONDIÇÕES SOB AS QUAIS SUA MAJESTADE MUITO-FIEL QUIS CONCEDER AO SENHOR SEBASTIÃO NICOLAO GACHET, AGENTE DO GOVERNO DE FRIBOURG, UM ESTABELECIMENTO PARA UMA COLÔNIA SUÍÇA NOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL”. Nesse documento se estabeleciam, efetivamente, todas as condições e situações de ordem prática com vistas à vinda dos suíços, desde as exigências do lado brasileiro (profissão, religião, etc.) assim como as vantagens e ajudas concedidas. Também ali se definiu o nome da futura Colônia, que passaria a se chamar Nova Friburgo. Na Suíça a notícia repercutiu de forma muito positiva, pois os intermediários do Projeto descreviam o Brasil, em particular a região da Colônia, como um Eldorado. Alistaram-se 830 pessoas de Fribourg, 500 de Berna (incluindo o Jura de Berna), 160 do Valais, 90 do Vaud, 5 de Neuchatel, 3 de Généve, 143 de Aargau, 118 de Solothurn, 140 de Lucerna e 17 do Schwyz, totalizando 2006 colonos1.
Em 14.07.1819 os emigrantes da Suisse Romande (Suíça de expressão francesa) partiram de Estavayer-le-Lac, para uma viagem sem volta, com muitas lágrimas e tristezas em relação aos que ficaram, mas também com muitas esperanças com o novo lar. Os colonos da chamada Suíça Alemã vieram pelo rio Reuss e Rio Aar, em Direção ao Rio Reno, para se juntar em Basiléia a todo o contingente migratório. Problemas relacionados com a organização do Projeto, melhor dizendo, a falta de organização, trouxeram conseqüências trágicas. À espera do embarque para a viagem pelo Oceano Atlântico, os viajantes ficaram acampados nos pântanos de Milj, perto de Dordrecht, na Holanda, onde sofreram toda espécie de desconforto, tais como comida ruim ou deteriorada, que provocou doenças do tipo varíola, tifo, disenteria e malária. Somente em 11 de setembro de 1819 as primeiras 1200 pessoas conseguiram embarcar e, em 10 de outubro do mesmo ano, as 800 restantes. Os colonos são acomodados nos veleiros Daphné, Urania, Deux Catherine, Debby Elisa, Heureux Voyage, Elisabeth-Marie e Camillus. O Trajan transportou apenas as bagagens pesadas dos passageiros.
A ambição do intermediário Gachet, que procurava lucrar de todas as formas possíveis, levou-o a alugar navios em quantidade insuficiente, dando ensejo a que em todos os navios houve superlotação. Thormann, o inspetor nomeado pelo Cantão de Berna, com ironia e pessimismo fúnebres, informava ao seu governo que “... como é de se supor tampouco que todos os colonos embarcados ainda estejam vivos na chegada ao Rio de Janeiro, não há dúvida que estarão melhor acomodados e com mais espaço quando a viagem estiver chegando ao fim...” . Por isso a travessia do oceano foi muito triste, demorada e com muitas mortes.
Na chegada ao Rio de Janeiro, foram recebidos de forma agradável pelo agora Rei D. João VI, recebendo muitos presentes e coisas típicas como pão, vinho, bananas, laranjas. Mas a viagem ainda não acabara. Tinham que percorrer mais de 120 km até a Colônia. A metade do caminho era por via fluvial, até perto da atual cidade de Cachoeiras de Macacú. A partir daí em carroças e lombo de burro. Tomaram contato com a floresta tropical, quente e úmida, com muitos animais diferentes, chuvas abundantes e caminhos estreitos quase intransitáveis. Mas eram bem recebidos pelas populações das fazendas por onde passavam, recebendo presentes, doces, guloseimas em geral, e conheceram a nossa cachaça. Mais adiante, a viagem tornou-se mais difícil, pois os carros não tinham como avançar. As mulheres, crianças e idosos utilizavam-se de mulas, e os homens, a pé.
A triste estatística: mortes ainda na Europa (43); mortes no oceano(311); mortes no Vale do Macacú(35). Das 2006 pessoas que partiram da Suíça, apenas 1617 chegaram a Nova Friburgo, e durante a viagem, nasceram 14 bebes. Mas os problemas ainda não haviam terminado. O Governo imperial preparara apenas 100 casas. Insuficientes, tratou-se de alojar em cada uma, mais de uma família, os órfãos, solteiros, parentes, de modo que cada casa abrigou de 18 a 20 pessoas, dando origem ao que ficou conhecido como a “família artificial”. Depois são transferidos para as terras a eles destinadas, também em número insuficiente, com o mesmo critério de ocupação. Mas o pior foi que a maior parte das terras eram totalmente impróprias para a agricultura. Íngremes, pedregosas, às vezes verdadeiras montanhas de enormes rochas. Algumas eram tão ruins que não era possível sequer plantar uma simples horta.
Para agravar ainda mais a situação, a maior parte da ajuda prometida e estabelecida no documento oficial (CONDIÇÕES...), não foi cumprida. Não lhes foi dada quantidade suficiente das sementes, de gado, etc. Aqueles que não tinham profissões definidas, bem como as viúvas e órfãos, começaram a passar fome e a pedir esmolas. Sensibilizados com a situação de seus patrícios, alguns suíços moradores na cidade do Rio de Janeiro criaram, em 1821, a Sociedade Filantrópica Suíça do Rio de Janeiro, com a finalidade de tentar evitar a miséria dos colonos, dando-lhes assistência médica, educação e ajuda imediata. Tal iniciativa, contudo, esbarrou novamente na viabilização do projeto de ajuda, e diante da carência de racionalidade para a prestação dessa ajuda, ocorre a aceleração do processo de falência da Colônia, e os colonos se dispersaram. Em linhas gerais, somente ficam em Nova Friburgo aqueles que estavam financeiramente muito bem, e muitos outros que, não possuindo tais condições financeiras ou materiais, não tinham como se deslocar. 
 
Os mais corajosos e de alguma posse vão em direção ao Vale do Rio Paraíba, em busca de melhores terras e clima mais quente, se estabelecendo nas cidades de Duas Barras, Cordeiro, Cantagalo, Bom Jardim, São Sebastião do Alto, São Fidelis, Carmo Macuco, Santa Maria Madalena, e outras da região, praticamente até as proximidades da cidade de Campos. Algumas famílias de suíços se tornam, ao longo dos anos, proprietários de terras e muitos deles prósperos fazendeiros, industriais e profissionais liberais de todo o tipo. Embora a região centro-norte do Estado do Rio de Janeiro ainda seja o reduto da Colônia Suíça, hoje seus descendentes estão espalhados por toda a parte, tendo participado ativamente do desenvolvimento e crescimento do país.

Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat
Alberto Lima Abib Wermelinger Monnerat – Nascido em Duas Barras(RJ), é descendentes das famílias suíças Wermelinger-Eggli, Monnerat-Koller, Borer-Wehrli e Stutz-Huber. Economista aposentado do Banco Central do Brasil, foi diretor de empresas governamentais brasileiras no exterior. É membro da ACADEMIA FRIBOURGUENSE DE LETRAS – AFL, da SOCIÉTÉ FRIBOURGEOISE DES ÉCRIVAINS – SFE, (de Fribourg, Suíça), da SOCIÉTÉ D’HISTOIRE DU CANTON DE FRIBOURG (Suíça), membro do CBG-COLÉGIO BRASILEIRO DE GENEALOGIA, e articulista eventual do jornal eletrônico SWISSINFO, do Governo Federal Suíço, editado em 10 idiomas.
1 Por muitos anos, prevaleceu o número de 2006 pessoas como aquele mais próximo da realidade, até mesmo pelas dificuldades de mensurar, precisamente o contingente migratório (inscrições de última hora, desistências, substituições por mortes ou exclusão, etc). Atualmente, com base em trabalhos mais recentes, estima-se que esse número está próximo de 2.080 migrantes, incluindo algumas cidadãos de outras nacionalidades que se juntaram ao grupo, ao longo do percurso, ainda na Europa.
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Palestra: "Como tudo começou: o Universo e a Vida"


No dia 4 de dezembro de 2015, o acadêmico Professor Doutor Ronaldo de Carvalho Miguel proferiu palestra com o tema "Como tudo começou: o Universo e a Vida", impressionando a todos com sua cultura, inteligência e eloquência, ao dissertar sobre as teorias do evolucionismo e do criacionismo.

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Obras na sede da Academia Friburguense de Letras reestruturam a Casa de Salusse


Nos meses de novembro e dezembro de 2015, a sede da academia esteve em obras que muito contribuíram para tornar o ambiente mais adequado às atuais necessidades da casa.




Durante esse período, as atividades inadiáveis da AFL foram realizadas na casa do presidente, como mostra a foto acima, que registra uma das reuniões de diretoria.




As fotos mostram etapas das obras realizadas na sede da academia. com a eliminação de uma sala de raríssimo uso, ampliou-se consideravelmente o salão de reuniões e recepções. O velho e desgastado piso de madeira foi trocado por cerâmica, o imóvel foi todo pintado. Os lustres e as luminárias de parede, que estavam muito sujos e danificados, foram inteiramente recuperados, retornando à sua beleza original. Criou-se uma mini copa, dotada de pia e armário e o banheiro social recebeu pequenas melhorias.




A próxima etapa, já em fase de planejamento, deverá  ser realizada por equipe da prefeitura: reforma da rede elétrica, com a instalação, inclusive, de ponto/relógio exclusivo para a academia.

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Biografia dos Patronos: Tobias Barreto


Tobias Barreto de Meneses (Vila de Campos do Rio Real, 7 de junho de 1839) foi um filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro e fervoroso integrante da Escola do Recife, um movimento filosófico de grande força calcado no monismo e evolucionismo europeu. Foi o fundador do condoreirismo brasileiro e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras.

Influenciado pelo espiritualismo francês, passa para o naturalismo de Haeckel e Noiré em 1869, com o artigo Sobre a religião natural de Jules Simon. Em 1870, Tobias Barreto passa a defender o germanismo contra o predomínio da cultura francesa no Brasil. Nessa época, influenciado pelos alemães, começa, autodidaticamente, a estudar a língua alemã e alguns de seus autores, com o objetivo de reformar as ideias filosóficas, políticas e literárias .

Fundou na cidade de Escada, próxima ao Recife, onde morou por 10 anos, o periódico Deutscher Kämpfer (em português, Lutador Alemão) que teve pouca repercussão e curta existência .

Tobias Barreto escreveu ainda Estudos Alemães, importante trabalho para a difusão da germanística, mas que foi duramente criticado, por se tratar apenas, segundo alguns, de uma paráfrase de autores alemães.

Iniciou o movimento denominado condoreirismo hugoano na poesia brasileira.

O seu nome consta da lista de colaboradores da Revista de Estudos Livres (1883-1886) dirigida por Teófilo Braga.

Principais obras

Filosofia
  • Ensaios e estudos de filosofia e crítica (1875)
  • Brasilien, wie es ist (1876)
  • Ensaio de pré-história da literatura alemã, Filosofia e crítica, Estudos alemães (1879)
  • Dias e Noites (1881)
  • Menores e loucos (1884)
  • Discursos (1887)
  • Polêmicas (1901)
Poesia
  • Que Mimo (1874)
  • O Gênio da Humanidade (1866)
  • A Escravidão (1868)
  • Amar (1866)
  • Glosa (1864)
Faleceu em Recife, em 26 de junho de 1889.

Fonte: Wikipedia
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Biografia dos Patronos: Raymundo Correia


Raimundo da Mota de Azevedo Correia  (São Luís, 13 de maio de 1859) foi um juiz e poeta brasileiro.

Raimundo da Mota de Azevedo Correia nasceu em Barra da Magunça (MA). Nasceu a bordo do navio São Luís, ancorado em águas maranhenses. Referindo-se a seu nascimento sobre as águas, costumava Raimundo dizer de si, pilhericamente, "Sou um homem sem pátria; nasci no Oceano". Filho de família de classe elevada, foram seus pais o desembargador José da Mota de Azevedo Correia e Maria Clara Vieira da Mota de Azevedo Corrêa, ambos naturais do Maranhão. Seu pai descendia dos duques de Caminha e era filho de pais portugueses. Realizou o curso secundário no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Em 1882 formou-se advogado pela Faculdade de Direito de São Paulo, localizada no Largo de São Francisco, conhecida como Faculdade do Largo São Francisco, desenvolvendo uma bem-sucedida carreira como Juiz de Direito no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Neste Estado, foi o primeiro Juiz de Direito da comarca de São Gonçalo do Sapucaí. Teve um sobrinho que levou seu nome, filho de seu tio José da Mota de Azevedo Correia, Raimundo Correia Sobrinho, formado em direito e poeta como o tio, que escreveu um livro de poesias "Oração aos Aflitos" publicado, em 1945, pela Livraria José Olympio Editora.

Seu primeiro livro de poesia, "Primeiros Sonhos", foi publicado em 1879. Nos anos seguintes, foi redator da "Revista Ciência e Letras" e colaborador dos jornais "A Comédia", "Entr'ato" e "O Boêmio". Formou-se em Direito, em São Paulo, em 1882; no mesmo ano mudou-se para o Rio, onde entrou para a magistratura. Em 1883, sairia seu livro de poemas "Sinfonias"; seguiriam-se "Versos e Versões", 1883/1886 (1887), "Aleluias", 1888/1890 (1891) e "Poesias" (1898). Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1897, mesmo ano em que secretariou a legação brasileira em Lisboa. Foi um sonetista admirável e, segundo Manuel Bandeira, autor de “alguns dos versos mais misteriosamente belos da nossa língua."
 
Raimundo Correia iniciou a sua carreira poética com o livro "Primeiros sonhos", revelando forte influência dos poetas românticos Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e Castro Alves. Em 1883 com o livro "Sinfonias", assume o parnasianismo e passa a integrar, ao lado de Alberto de Oliveira e Olavo Bilac, a chamada "Tríade Parnasiana".

Os temas adotados por Raimundo Correia giram em torno da perfeição formal dos objetos. Ele se diferencia um pouco dos demais parnasianos porque sua poesia é marcada por um forte pessimismo, chegando até a ser sombria. Ao analisar a obra de Raimundo Correia percebe-se que há nela uma evolução. Ele iniciou sua carreira como romântico, depois adotou o parnasianismo e, em alguns poemas aproximou-se da escola simbolista.

Principais obras
  •     Primeiros Sonhos (1879)
  •     Sinfonias (1883)
  •     Versos e Versões (1887)
  •     Aleluias (1891)
  •     Poesias (1898)

Faleceu em 13 de setembro de 1911, em Paris, onde foi tratar da saúde.
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