3º Concurso Nacional Julio Salusse - Prosa & Verso


Mantendo-se em atividade ininterrupta desde a sua fundação em 22 de junho de 1947, a Academia Friburguense de Letras promove anualmente o CONCURSO NACIONAL JULIO SALUSSE, Prosa & Verso, tendo como objetivo incentivar o exercício da leitura e a criação literária.

O título homenageia o poeta Julio Salusse, patrono da Academia. A cada versão, um nome representativo da cultura brasileira será homenageado. Neste ano, o escolhido é o escritor Machado de Assis.

Prazo: Serão considerados os trabalhos recebidos até 21/outubro/2016.

Sessão de Premiação: 9 de dezembro de 2016 – sexta-feira.

Premiação: os três primeiros colocados em cada uma das modalidades – poesia e prosa – serão contemplados com:

1º colocado: troféu, certificado e R$ 500,00 (quinhentos reais).

2º colocado: troféu, certificado e R$ 300,00 (trezentos reais).

3º colocado: troféu, certificado e R$ 200,00 (duzentos reais).

Publicação: Os trabalhos vencedores poderão ser publicados na revista ou no anuário da Academia Friburguense de Letras.

Hospedagem: Será concedida aos vencedores provenientes de outra cidade.

Ver Regulamento abaixo.

 
Robério José Canto
Presidente da AFL

Regulamento
 
Art. 1º - Dos objetivos
 
A - Incentivar o conhecimento da vida e da obra do escritor Machado de Assis.    
 
B - Motivar o amor pela literatura, através do conhecimento da vasta criação do homenageado.
 
C - Ressaltar Nova Friburgo como local de inspiração para obras literárias.

Art. 2º - Das modalidades

As obras inscritas deverão ser compostas em forma de poesia ou prosa.

Art.3º - Da participação

A - Poderão participar maiores de 16 anos, brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil.       
 
B - Os trabalhos concorrentes serão obrigatoriamente em língua portuguesa.
C -  As obras inscritas deverão ser inéditas e enviadas, em quatro vias, para: Concurso Nacional Julio Salusse. Academia Friburguense de Letras, Praça Presidente Getúlio Vargas, 57 - Nova Friburgo- RJ - CEP 28.610 - 170.         
 
D - No verso do envelope, deverá constar como remetente: Julio Salusse, seguido do pseudônimo e do endereço do autor.
 
E - Dentro do envelope contendo os textos deverá vir outro, menor, lacrado, tendo escritos por fora a categoria e o pseudônimo e, internamente, folha com o título do trabalho, pseudônimo, nome completo do autor, endereço, telefone(s) e e-mail. Estas informações são imprescindíveis para a participação no concurso.
 
F - A obra deverá ser digitada em Arial – tamanho 12 – espaçamento – 1,5 – folha A4 em apenas uma das faces – as margens superiores, inferiores e laterais com 3 cm – não devendo ultrapassar duas páginas, com o pseudônimo logo abaixo do título.

G – Os vencedores terão sete dias, a contar da data do e-mail comunicando o resultado, para enviar (também por e-mail) o seu texto, foto e minicurrículo. O não cumprimento desse prazo acarretará na imediata desclassificação do concorrente.

H – O candidato poderá participar com apenas um trabalho em cada modalidade.
 
I – É vedada a participação, em qualquer das modalidades, de acadêmicos e membros da comissão julgadora, inclusive seus parentes até segundo grau.

Art. 4º - Dos Temas

Os textos deverão abordar a vida e/ou a obra de Machado de Assis.
 
Art. 5º - Do Prazo
 
Serão considerados participantes do concurso os trabalhos recebidos até 21 de outubro de 2016.

Art. 6º - Do julgamento e comunicação dos resultados
 
A -  Os trabalhos serão julgados por uma comissão composta de membros da Academia Friburguense de Letras e/ou convidados de reconhecida atuação e competência na área cultural.
 
B -   A comissão realizará a seleção de três obras de cada modalidade e informará os resultados ao Presidente da Academia até o dia 21 de novembro de 2016.
 
C -   Os resultados serão divulgados por meio da imprensa friburguense e comunicados por e-mail aos participantes.

Art. 7º - Dos Prêmios
 
A -   Os prêmios serão entregues em sessão solene a ser realizada no dia 9 de dezembro, sexta-feira.

B -  Os três primeiros classificados de cada modalidade, poesia e prosa, além do troféu e do certificado, receberão os seguintes valores: 1o lugar: R$ 500,00 (quinhentos reais) – 2o lugar: R$ 300,00 (trezentos reais) – 3o lugar: R$ 200,00 (duzentos reais).

Disposições Gerais:

A – O concurso tem o apoio da ABL – Academia Brasileira de Letras, pois o homenageado é Machado de Assis, um de seus fundadores e seu primeiro presidente.

B – Ao inscrever-se para o concurso, o candidato autoriza a utilização de sua obra na divulgação de atividades socioculturais da Academia, incluindo a publicação na revista Letras Friburguenses e/ou no seu anuário.

C – Os originais enviados não serão devolvidos.
 
D – Os casos omissos serão resolvidos pela Diretoria da Academia Friburguense de Letras e pela Comissão Julgadora, cujas decisões serão irrecorríveis.


 
Robério José Canto
Presidente da AFL
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Sarau do Festival de Inverno Sesc Rio contará com a participação da Academia Friburguense de Letras


O projeto do duo Diogo Rebel e Aline Peixoto é resultado de alguns questionamentos levantados através da observação do público musical dos dias de hoje. Ao notar a falta de conhecimento de muitas pessoas em relação à uma época de abundância musical e de poesia brasileira não tão distante, a intenção é contar parte de uma história, através da música popular brasileira com cunho literário, de forma lúdica e atual.

O Sarau do Festival de Inverno Sesc Rio contará com a participação de poetas, músicos, trovadores, escritores  e artistas de várias gerações da Região Serrana, oportunizando o público interagir num clima de humor e alegria, com a arte literária poética. O pianista Diogo Rebel e a cantora Aline Peixoto apresentam música e poesia - diálogo entre gerações. Repertório musical agradável e boas histórias. Participação da Academia Friburguense de Letras, Quintas Poéticas - Bom jardim e União Brasileira de Trovadores.

Sesc Nova Friburgo
Dia: 18 de agosto
Horário: 19h
Local: Biblioteca
Vagas: 40 vagas
Classificação Etária: Livr

Mediação: Rachel Rabello e Márcia Lobosco

Músicos: Diogo Rebel e Aline Peixoto

SARAU | ACADEMIA FRIBURGUENSE DE LETRAS, QUINTAS POÉTICA, BOM JARDIM E UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORE

Participação de poetas, músicos, trovadores, escritores  e artistas de várias gerações da Região Serrana, oportunizando o público interagir num clima de humor e alegria, com a arte literária poética. O pianista Diogo Rebel e a cantora Aline Peixoto apresentam música e poesia - diálogo entre gerações. Repertório musical agradável e boas histórias. Participação da Academia Friburguense de Letras, Quintas Poéticas - Bom jardim e União Brasileira de Trovadores.
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SARAU | ACADEMIA FRIBURGUENSE DE LETRAS, QUINTAS POÉTICA, BOM JARDIM E UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORE

Participação de poetas, músicos, trovadores, escritores  e artistas de várias gerações da Região Serrana, oportunizando o público interagir num clima de humor e alegria, com a arte literária poética. O pianista Diogo Rebel e a cantora Aline Peixoto apresentam música e poesia - diálogo entre gerações. Repertório musical agradável e boas histórias. Participação da Academia Friburguense de Letras, Quintas Poéticas - Bom jardim e União Brasileira de Trovadores.
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SARAU | ACADEMIA FRIBURGUENSE DE LETRAS, QUINTAS POÉTICA, BOM JARDIM E UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORE

Participação de poetas, músicos, trovadores, escritores  e artistas de várias gerações da Região Serrana, oportunizando o público interagir num clima de humor e alegria, com a arte literária poética. O pianista Diogo Rebel e a cantora Aline Peixoto apresentam música e poesia - diálogo entre gerações. Repertório musical agradável e boas histórias. Participação da Academia Friburguense de Letras, Quintas Poéticas - Bom jardim e União Brasileira de Trovadores.
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Encontro entre Escritores



A Academia Friburguense de Letras tem o prazer de convidar para o Encontro entre Escritores, evento que vai acontecer toda terceira terça-feira do mês, às 19hs, na sede da academia, com a mediação da professora Márcia Lobosco.

O encontro tem como objetivo principal compartilhar experiências literárias entre escritores, bem como suas opiniões e leituras de mundo a respeito de assuntos relacionados à leitura e à literatura.

Para esta atividade, considera-se escritor/escritora aquela pessoa que tenha publicado livros, sendo ou não membro da Academia.
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Palestra gratuita: O Mundo precisa de Filosofia. Com Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça


É com prazer que convidamos para a palestra gratuita do acadêmico Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça, com o tema "O Mundo precisa de Filosofia".

A palestra pretende ser uma reflexão sobre a destruição sistemática irracional da natureza e dos valores da dignidade humana, por concepções e opções equivocadas. Além disso, defenderá a necessidade
de uma visão filosófica equilibrada e adequada sobre a harmonia cósmica,  ecológica, antropológica e social, baseada no respeito ao SER e a sua identidade que alimente uma nova  ética de convivência pacífica e desenvolvimento integral sustentável.

Dia 24 de agosto, quarta, às 19h
Academia Friburguense de Letras
Praça Presidente Getúlio Vargas , 57, Centro. Nova Friburgo - RJ
CEP: 28.610-175. E-mail: letrasnf@bol.com.br
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Academia Friburguense de Letras lança edital para preenchimento de vagas na instituição



A Academia Friburguense de Letras (AFL) lançou edital para preenchimento de duas vagas na instituição (publicado no jornal A Voz da Serra em 22 de julho de 2016), correspondentes às cadeiras número 1, de patronímica de Afrânio Peixoto, e 35, patronímica de Raymundo Correa.

Os candidatos a uma vaga de imortal da AFL, deverão enviar ao presidente da Academia, carta com as razões de seu interesse em pertencer à AFL, declarando conhecer e estar de acordo com seu estatuto; currículo com identificação pessoal, endereço, telefone(s) e e-mail; síntese de suas atividades nas áreas de atuação da AFL; e exemplares de obras publicadas para o endereço: Praça Presidente Getúlio Vargas , 57, Centro. Nova Friburgo - RJ - CEP: 28.610-175.

Dentre outras, são condições para ser membro da AFL: participar regularmente das atividades da instituição, pagar contrinuição anual, residir em Nova Friburgo ou ter vínculo efetivo e permanente com a cidade.

Mais informações poderão ser obtidas pelo telefone (22) 98824-2858, e pelo e-mail letrasnf@bol.com.br.
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A Existência de Deus em Aristóteles e Tomás de Aquino

 
Apresento aqui  neste breve artigo algumas partes da palestra que fiz na Academia Friburguense de Letras em 2014 com o tema: "Os Caminhos da Razão para o Conhecimento da Existência de Deus", com grande participação dos amigos confrades e da comunidade.

ARISTÓTELES, por força da razão, reconheceu a existência de Deus, tendo em vista o fato de haver finalidade (direcionalidade) e movimento (transformações) na natureza. Sobressaem assim, os seguintes aspectos teóricos sobre este tema em seus escritos:

1) A  Existência de Deus - O argumento essencial recai sobre a prova metafísica. Todo ser em  movimento tem uma causa que o move. E  tudo o que move é movido por outro,pois em todos os entes finitos há sempre algo que lhes possibilita serem movidos (todos estes são mistos de potência e ato).  Este movimento somente é possível através de uma atualização, isto é, a passagem da potência ao ato, realizada por um agente externo ao que é movido. Ora, na série de causas ( ou agentes que movem)  não é possível ir ao  infinito  (princípio de regressão), pois ,então, seria impossível o movimento. Logo, deve existir necessariamente um primeiro agente (ou motor) que move toda a série de causas e não é movido por nenhum outro a não ser por si mesmo. Isto implica também que a Primeira Causa é Ato Puro , ou seja , não possui mistura de potência e ato, realizando em si todas as perfeições do ser;

2) A Natureza de Deus -  Deus é ato puro(sem nenhuma potência, pois já é tudo que deve ser) ,motor imóvel, absolutamente simples ( não composto de partes), incorpóreo. O ato puro significa perfeição e a suma perfeição consiste em pensar-se a si próprio sem algo externo que lhe mova o pensamento. Deus é pensamento de pensamento, sumamente completo  em si mesmo.

TOMÁS DE AQUINO, na Idade Média, no seculo XIII, retoma a filosofia aristotélica e a introduz no ocidente, adaptando-a à Teologia Cristã. Porém, traça uma teologia natural com base na própria razão filosófica, mostrando os passos racionais, conforme os princípios metafísicos, para a afirmação da existência de Deus. Há que se dizer, contudo , que a sua postura sobre o conhecimento é de frisar a via apofática (da negação) e analógica para se falar do Ser Divino. Primeiro negar do ser perfeito as qualidades limitadoras e as imperfeições. Sabe-se, assim, o que Ele não é. Ou a comparação através da proporção do ser que gera uma noção, uma razão de similaridade , a qual tem o seu grau infinito no ser absoluto. Os atributos divinos que tocam a essência do ser perfeito só podem ser alcançados racionalmente por estas duas vias de conhecimento.

Quanto à existência de Deus , o objeto desta reflexão, Tomás de Aquino, organiza cinco vias que, resgatando as bases da argumentação aristotélica, situam de forma mais sistemática a possibilidade do alcance da razão a esta realidade , como constatação necessária pelo princípio da causalidade:

1) VIA PELO MOVIMENTO  - Recoloca o pensamento do motor imóvel necessário como causador de toda a sequência de movimentos, conforme as categorias aristotélicas de ato e potência;

2) VIA PELA EFICIÊNCIA -  Aqui, apresenta  Deus como causa primeira incausada que fundamenta toda a corrente de causas secundárias, na relação causa-efeito, no universo. Esta relação de efeito para causa não pode ser um processo "ad infinitum", pois seria negar toda a evidente consequência real, o que repugna à razão;

3) VIA PELA CONTINGÊNCIA  -  A contingência dos seres imperfeitos aponta para um fundamento necessário, pois os seres que estão em movimento não são por si , nem em si. Nem sempre foram e podem deixar de ser. Isto denota a sua dependência de outro ser, que na corrente de causalidade fundante exige um Ser Necessário, ou seja, que é e não pode deixar de ser, que sendo por si e em si, fundamente a existência de todos. Deus é o Único Necessário, cuja essência e existência se identificam.

4) VIA PELOS GRAUS DE PERFEIÇÃO -   Nesta via , o filósofo acentua nas coisas graus de perfeição diversos na sua proporcionalidade que remetem a uma fonte máxima das perfeições. Aqui, também a proporcionalidade se relaciona com a contingência, pois os seres imperfeitos recebem as perfeições e as exercem, como qualidades dependentes e passageiras. A flor é bela, mas não é a beleza, nem a sua fonte. Se fosse se manteria sempre bela. Contudo, em pouco tempo, fenece. Deste modo, a saúde , a força, a vitalidade...apontam necessariamente para uma fonte, um ser que seja a fundamentação ontológica das perfeições e ,na sua plena posse estável , as distribua aos seres contingentes;

5) VIA PELA ORDEM E FINALIDADE -  Dá continuidade à visão aristotélica sobre a Ordem no universo que supõe uma Mente Ordenadora ( Nous para os gregos) , expressão tomada pelo estagirita de Anaxágoras. Tomás de Aquino recoloca a noção de finalidade - Deus como causa final  que  atrai  através da inteligência interna a cada existente que alcança uma realização ontológica, cumprindo ,assim, a orientação teleológica intrínseca à sua natureza. Ou seja, a inteligência que está no universo de forma ordenada e harmônica , em sua perfeição, aponta para a necessidade de uma Mente Ordenadora que é também sua causa final.

CONCLUSÃO:

A argumentação aristotélico-tomista tem um caráter permanente no sentido filsófico-metafísico, pois baseia-se em raciocínios e princípios fundamentais para se falar da existência de Deus como o princípio da não-contrradição ( uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo, sob o mesmo aspecto) e o da causalidade  que  são usados até pelos que os negam em suas teorias e sistemas de pensamento. Apoia-se este raciocínio, sem a interferência da fé ou de concepções religiosas, na orientação natural da razão humana, na ilogicidade e contradição de se negar  o fundamento necessário, o  que é negar a própria causalidade do efeito evidente, contingente e ontologicamente dependente. Baseia-se na sistêmica ordem e inteligência que está no universo , mas não é autoconsciente e nem mesmo no homem é totalmente autônoma, evocando uma Razão Ordenadora e uma finalidade na orientação intrínseca natural. Deus é o Princípio e o Fim de todo ser existente, a Mente, o sentido e a  plenitude de toda a ordem  inteligente do universo.

Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça

Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça  nasceu em São Gonçalo, RJ, em 13/04/1968. É Padre, pároco da Paróquia de S.José do Ribeirão , em Bom Jardim - RJ. Bacharel em Teologia pela Faculdade São Bento,no Rio de Janeiro - RJ, com Licenciatura Plena em Filosofia, pela Faculdade Católica de Anápolis - GO, onde também é Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior.        
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Discurso de posse de José El-Jaick



A impressão que tenho em mente
de que as manias de ler
e, bem pior, de escrever,
são meio coisa de louco,
não me veio de repente,
me veio, sim, pouco a pouco.

Livros, na infância, eu não lia.
Deles, o que conhecia
era o que ouvia dizer.
Comecei na adolescência
essa mania de ler,
em meio à efervescência,
como é norma nessa fase,
dos hormônios, dos passeios
na praça e nas piscinas,
ora de olho nas frases,
ora mirando as meninas,
e pouco a pouco me veio,
como inevitável sina,
esse negócio de louco.

O tempo me era estreito
pra ler o que aparecia.
Tive então que dar um jeito
de alimentar a mania.
Em vez de ir ao colégio,
ia ao Parque São Clemente.
Era quase um sacrilégio.
Matava as aulas pra ler
em completa solidão
e macabra compulsão.
Do Cêfel eu escapava
e no parque eu me amoitava
para ler sofregamente.
O que se pode dizer?
Atitude de demente.

Solidão e compulsão:
sinais certos de doideira.
Cabe lembrar o chavão:
selava-se o diagnóstico
de péssimo prognóstico.
Seria um mal de família?

Eu lia tudo que via
pela frente, sem critério.
Não respeitava fronteira
e tragava longas listas.
Brasileiros, portugueses,
franceses, italianos,
espanhóis, russos, ingleses,
alemães, americanos,
cristãos, judeus, muçulmanos,
budistas, confucionistas,
pra mim eram refrigério.

Pobre leitor, não sabia
que aquela matéria lida
de um jeito desassombrado
e pra lá de açodado,
como se ali não houvesse
nenhuma chave ou mistério,
teria de ser relida
se bem entender quisesse.
Eu me veria obrigado
a reler parte de tudo,
em parte ou completamente,
e dessa vez, calmamente,
e de um jeito mais sisudo,
para entender plenamente
a arte ali escondida.
Era coisa de endoidar.
Seria um mal do lugar?

Naquele tempo, o Paco,
um dos muitos descendentes
dos imigrantes de Espanha,
um dos muitos Ruiz,
de todos um amigaço,
prosador de muita manha,
com todos ria e falava,
além de tudo, gerente
do Bar e Sorveteria
Única, dali de frente,
o Paco, como eu dizia,
a todo mundo afirmava
verdade que ninguém diz:
que o clima tão decantado
de nossa amada cidade
é da melhor qualidade
para fêmea ou para macho
mas que seu bom resultado
é do pescoço pra baixo.
O Paco assim entendia
que o mal do clima atingia
a cabeça da pessoa.
Nem tanto à do visitante,
que curtia numa boa
o reles tempo passado
na Suíça Brasileira.
Não era o que acontecia
com o coitado do habitante,
aquele aquartelado
aqui, pela vida inteira.

Se ler muito é uma loucura,
o que podemos dizer
de quem se mete a escrever
boa ou má literatura?
Ferreira Gullar, poeta
da maior envergadura,
(confirmo a expressão batida),
diz que a literatura
precisa mudar a vida.
E não é voz solitária.
Com ele, uma legião
canta em coro, solidária.
Olhem só que pretensão!
Olhem só que ousada meta!
Com letras, mudar a vida
das pessoas desditosas
e das mal orientadas
ou apenas iludidas.
Mudar, inclusive, a vida
das pessoas venturosas.
Haja letras presunçosas!
Haja ideias variadas!
Haja fé e colossal
vontade no coração.
Com letras mudar o mundo
solapado em desmedida
miséria, fome e profundo
desajuste social,
dominado por potências
que visam só o dinheiro,
e suas intransigências
assolam o mundo inteiro.
Mudar a vida, o mundo,
com simples literatura!
Que mania de grandeza!
Outro sinal, com certeza,
de irreversível loucura.

Eis que surge um lenitivo,
uma espécie de incentivo
ao meu humor combalido:
entrar para a Academia.
Assim eu me tornaria,
embora doido varrido,
um venerado imortal.
Ah, nada mal, nada mal,
entrar para a Academia!
Soube que vaga estava
a cadeira dezenove.
Merecer, não merecia,
mas tentar não me custava.
Ah, o agrado que nos move!
A cadeira pertencera
a Henrique Braune Zamith,
o que pela vez primeira
a ocupou com maestria,
fato que a História admite:
ilustre compositor
do Hino de Barra Mansa,
além de grande escritor.
E a dezenove, por último
pertencera ao nosso Augusto
Carlos Curvello de Muros,
o nosso querido Muros
de tantas boas lembranças,
e nada há de mais justo
que saudar o bom cronista
e louvável romancista.

Entrar para a Academia!
Se entrasse nela, eu seria
imortal como os demais.
E essa imortalidade
é, da outra, diferente
em termos de qualidade
e sacrifício da gente.
A tal imortalidade
pelas letras nos é dada
(troço mais simples não há),
não pela vida regrada,
não por virtudes morais,
nem por espirituais,
difíceis de praticar.
Do próximo até que posso
sua mulher desejar.
De um outro roubar eu posso
uma ideia, um pensamento
e de algum jeito botar
aquilo, em qualquer momento,
no livro que estou fazendo,
e nada disso será
descontado no meu tempo.

Lancei a candidatura
à Casa que prometia,
por minha literatura,
amena imortalidade,
especial regalia
dada a poucos na cidade.
Fui aceito e fiquei grato.

Eis que surge um revertério.
Ninguém menos que Robério
José Canto, o Presidente,
com o tom de gravidade
usado no magistério,
me diz amigavelmente:
Meu prezado candidato,
me sinto na obrigação
de lhe revelar um fato,
incontestável verdade,
diferente de boatos
que pela cidade correm
sem a menor consistência.
Sinto-me na obrigação
de lhe avisar de antemão
que os imortais também morrem,
e aliás, com uma frequência,
ele disse, assustadora.

Notícia devastadora.
Vem na boca, o coração.
Coisa de louco, eu diria.
E quem aqui poderia
ter contrária opinião?

Mas o que posso fazer?
O que podemos fazer?
O planeta, maltratado;
o ser humano, aturdido;
nós aqui, por outro lado,
com o coração esprimido.
Loucura, a literatura,
disso já ninguém duvida.
Mas é o que nós fazemos
com artifícios que temos.
Feiticeiros, feiticeiras,
hóspedes do eterno espaço,
lá em cima, de mil maneiras,
planejamos, passo a passo,
mudar o mundo, a vida
com letras que enfileiramos,
tudo feito com cuidado,
cada dia mais e mais,
com vistas no resultado:
mudanças que desejamos
perenes e essenciais,
mesmo que enfim já saibamos
que somos simples mortais.

Boa noite e obrigado.

Nova Friburgo, 11 de março de 2016.
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